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Em meio aos debates sobre a reforma do ensino médio e à elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma pesquisa divulgada, nesta quinta-feira (22/9), revelou o que os jovens pensam sobre sobre as escolas do Brasil. Ao todo, 132 mil alunos e ex-alunos, de 13 a 21 anos, de todos os estados do país manifestaram suas impressões e anseios acerca das instituições que frequentam. E os resultados comprovam que há ainda muito chão para percorrer na construção de uma educação de qualidade.

Apenas um em cada 10 estudantes está satisfeito com as aulas e materiais pedagógicos. Os prédios e a estrutura das escolas também são motivos de insatisfação: metade dos entrevistados consideram os espaços inadequados.

O estudo “Nossa Escola em (Re)Construção” foi elaborado pelo Porvir, programa do Instituto Inspirare, em parceria com a Rede Conhecimento. Entre os que colaboraram com a análise, 86% estão matriculados em escolas públicas.

“A pesquisa tentou ajudar os jovens a pensar em uma escola diferente da que eles têm. Os alunos trouxeram dados de uma escola que ainda não existe e manifestaram a vontade de ter um currículo mais flexível, em que seja possível escolher parte da trajetória, em que se aprende mais com a mão na massa do que só com aulas expositivas”, afirmou a diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido.

Espaços livres, acolhedores e com menos paredes ou grades. Esse também é o desejo de muitos dos entrevistados: 44% deles sonham com um colégio com bastante área verde. A tecnologia, tão presente no cotidiano dos jovens, também entrou na lista de aspectos questionados. Para 51%, esse aspecto não deveria se restringir aos laboratórios de informática, mas também estar nas salas de aulas e em outros ambientes.

Apesar das críticas, os participantes da pesquisa demonstraram que guardam afeto pelos espaços escolares. De acordo com os índices coletados pelo Porvir, 70% dos adolescentes gostam de estudar em seus colégios e 72% dizem que aprendem coisas úteis para a vida. “Os jovens têm muitas críticas, mas gostam de suas escolas. Ouvi-los é o caminho para a edificação de uma educação de qualidade”, apontou a editora do Porvir, Tatiana Klix.

DF
No Distrito Federal, 179 adolescentes foram ouvidos. A porcentagem de alunos que desejam estudar em uma escola com mais área verde é maior que o índice do país: 58%. Em relação à tecnologia, o dado regional também supera o nacional. Em Brasília, 52% dos jovens querem que a internet, os aplicativos e as redes sociais não fiquem restritos apenas aos laboratórios.



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