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Os olhos brilham, o riso flui e os pés dançam. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho, é assim que Jéssica Mendes, de 24 anos, se comporta ao falar sobre a maior paixão da sua vida. “Fotografia é a forma que tenho de me expressar e mostrar para as pessoas como eu vejo o mundo”, define a jovem que tem síndrome de Down.

 A batalha para ser reconhecida na profissão começou desde o primeiro dia de aula na universidade e continua cada dia que conquista um espaço ainda maior no mercado. Mas, Jéssica transformou cada rejeição em um trampolim para alcançar os sonhos profissionais. “Tudo me fortalece e me encoraja a atingir meus objetivos”, conta.

Um dos momentos que mais lhe causaram revolta foi quando ainda estava cursando fotografia e a excluíram de uma atividade extraclasse. A justificativa foi de que não havia espaço no local em que a turma iria participar de uma prática. “Foi muito humilhante. Eu e mais duas pessoas com deficiência não pudemos participar”, revelou.

Episódios desse tipo influenciaram a jovem a utilizar a profissão para conscientizar as pessoas sobre a importância da inclusão. Por isso, Jéssica estudou a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e usou os artigos 9 e 24 que falam sobre acessibilidade e educação para se inspirar.

A fotógrafa já fez exposições em Curitiba, vendeu obras em mostras em Brasília e também trabalha na Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Por ter síndrome de Down, pensam que não tenho capacidade de estar no mercado de trabalho, mas nós podemos fazer tudo, inclusive trabalhar"
Jéssica Mendes
Felipe Menezes

Apoio
Cheia de doçura na fala, ela esbanja alegria e gratidão à família por apoiar cada escolha. “A fotografia mudou a minha história e também a da minha avó, da minha mãe e do meu pai. Hoje todos estão envolvidos nos meus sonhos e nos meus trabalhos”, revela.

A força de Jéssica sempre impressionou a família. Guilherme Figueiredo, de 55 anos, enche o peito para falar da filha: “Determinada, responsável e estudiosa, ela nunca deixou as dificuldades abalarem os propósitos.”

Na época do projeto final do curso, por exemplo, a menina pensou em jogar tudo para o alto. Pai e mãe a deixaram à vontade para desistir, se quisesse. Mas ela lutou e entregou o trabalho de conclusão. “Depois que ela superou isso, começou a encarar as dificuldades de forma ainda mais positiva”, relembra a mãe, Ana Cláudia Mendes, de 51 anos.

Desde então, a fotógrafa é cheia de planos. Um deles é ter um estúdio só dela e investir também em trabalhos voltados às pessoas com deficiência. “Acho que, com meu trabalho, posso dar voz a quem não é ouvido e posso mostrar quem não é visto”, define.

Felipe Menezes

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