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A maconha é considerada medicinal há séculos. Há referências do uso da cannabis para amenizar dores e desconfortos desde 2700 AC, na China. Os egípcios e indianos também mencionam a planta em seus papiros e livros sagrados antes de Jesus Cristo pisar na Terra.

Com o decorrer dos anos, o “barato” dado pela maconha se tornou mais importante e relevante do que o uso medicinal das plantas. Os governos, sem informações corretas sobre as concentrações e como controlar os efeitos secundários, proibiu a cannabis.

O assunto voltou nos anos 1960, quando o bioquímico israelense Raphael Mechoulam conseguiu isolar o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Ele descobriu os efeitos de cada substância em experimentos pouco ortodoxos. Colocou gotas dos compostos em um bolo feito por sua esposa e ofereceu aos amigos. Assim, constatou que o THC é o responsável pela “lombra” típica do consumo da maconha.

“A substância causa uma exacerbação dos sentidos. A pessoa sente de forma mais intensa as cores, os contrastes, os cheiros, o gosto da comida, o toque. O THC causa euforia, tudo fica mais alegre e divertido”, explica Renato Malcher, professor de neurociência na Universidade de Brasília (UnB). “Já o canabidiol traz uma sensação de tranquilidade. Os efeitos não são sentidos, é um relaxamento psicológico”, completa.

Em 1973, um estudo brasileiro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), descobriu efeitos anticonvulsionantes no canabidiol. Anos depois, o pesquisador Elisaldo Carlini fez os primeiros testes com humanos. Constatou que o composto isolado consegue atuar limitando o nível de ativação neuronal e impedindo o excesso de ativação dessas células. A partir daí, pacientes com autismo, epilepsia, esclerose múltipla, Parkinson e aqueles que sofrem efeitos colaterais do tratamento do câncer enxergaram uma luz no fim do túnel.

Mas não no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos o óleo rico em canabidiol é vendido até em supermercados, por aqui só em 2014 a Justiça permitiu que a primeira família importasse o remédio. De lá para cá as coisas andaram um pouco mais rápido: no mesmo ano o Conselho Federal de Medicina autorizou médicos a prescreverem o CBD para pacientes que já tentaram todos os tratamentos disponíveis. Em 2015, o canabidiol deixou de ser proibido pela Anvisa e passou ser qualificado como uma substância controlada.

O Mevatyl se tornou, no começo de 2017, o primeiro medicamento à base de canabidiol e THC a ser registrado no país. Finalmente, em maio deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inseriu a erva na Farmacopeia Brasileira, tornando-a oficialmente uma planta medicinal.

Quem precisa do remédio deve ter em mãos uma prescrição médica e fazer um requerimento na Anvisa para receber autorização de importação do óleo. As famílias ainda continuam lutando para tornar o processo mais fácil. Eles querem também que o governo pague o preço alto do medicamento ou os autorize a plantar em casa e diminuir os custos da importação.

“O processo no Brasil está bastante avançado, me surpreendeu bastante”, avaliou Caroline Heinz, diretora de operações da HempMeds Brasil. “Algumas famílias receberam autorização para plantar em casa e percebo que os médicos vêm conseguindo abrir a cabeça para estudar e acreditar que existe um outro caminho para o tratamento, um não convencional”, completou a representante de uma das 11 empresas com medicamentos aprovados pela Anvisa para importação. Por fim, Caroline explica que a HempMeds Brasil já está com um processo para registrar o óleo de cânhamo como medicamento fitoterápico e acredita que até 2018 saia a aprovação.

Fontes: HempMeds Brasil, Renato Malcher, Antonio Waldo Zuardi

 

 

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