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Se você ligar a televisão, lá está Adriane Galisteu comendo chocolates com colágeno. Na internet, a musa fitness Gracyanne confessou para seus seguidores que sempre toma sua dose antes de dormir. Desde que virou febre entre as famosas, muita gente tem procurado a loja de suplementos mais próxima enquanto os profissionais comentam sobre os efeitos positivos do colágeno hidrolisado. Além de conquistar o público com as promessas de uma pele mais firme, o colágeno atua nas unhas e nos cabelos e pode ser um auxiliar no sistema imunológico e na preservação e resistência óssea.

Mas, antes de mais nada, é importante ressaltar que o colágeno é a proteína mais abundante do corpo. É encontrada em nossos músculos, ossos, pele e tendões e, basicamente, é considerada a “cola” que mantém o corpo unido.

No entanto, à medida que envelhecemos, a produção dessa proteína começa naturalmente a desacelerar seja de forma mais lenta – porque existe um cuidado com a manutenção dessa proteína –, ou de forma mais rápida, através de fatores que contribuem para esse esgotamento como dietas ricas em açúcar, fumo e exposição ao sol sem proteção.

A partir daí, gradualmente a pele começa a ficar mais fina, os cabelos sem vida, tendões e ligamentos menos elásticos e articulações menos flexíveis.

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Estima-se que depois dos 25 anos de idade, os níveis de colágeno começam a diminuir a uma taxa de 1,5% ao ano. Aos 30 anos de idade essa taxa aumenta para 2% e aos 40 anos, 15%.

No entanto, antes de se desesperar e ir na loja de suplementos mais próxima, é necessário esclarecer alguns fatos. A princípio existe uma grande discussão em torno do colágeno hidrolisado, especialmente sobre a comprovação de seus efeitos que ainda não têm estudos científicos conclusivos.

Principalmente porque o colágeno tomado via oral se quebra através do processo de digestão e, quando isso acontece, ele poderá formar diversas estruturas que não atuam necessariamente na beleza da pele e em cabelos mais sedosos.

 O dermatologista Thomas Ha, em entrevista ao Daily Mail, foi categórico ao afirmar que “tomar pílulas de colágeno é completamente ineficaz, uma vez que o colágeno, quando ingerido, será quebrado pelo estômago e pelo intestino e nunca chega a atingir as camadas da pele.”

No entanto, para a dermatologista Cynthia Dias essa informação não é totalmente plausível. Na realidade, o colágeno hidrolisado como conhecemos precisa de um “acompanhante” para que funcione corretamente e direcione o colágeno para qual “direção” tomar no organismo.

“O silício orgânico é um complexo que garante alta biodisponibilidade (velocidade de absorção) e é responsável por aumentar a síntese das proteínas. Quando combinado com o colágeno traz uma resposta eficaz aos resultados esperados”. O silício é encontrado em cereais integrais, como cevada e na aveia, e em várias frutas, legumes e oleaginosas.

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Por isso, para que o colágeno forme as fibras que dão sustento a pele e contribua na formação de músculos para quem se exercita, a profissional ressalta que a combinação dos dois é o mais indicado. “10g de colágeno hidrolisado e 150 gramas de silício são as dosagens mais indicadas, mas isso pode variar de acordo com o paciente. No caso do colágeno, por ser uma dosagem muito alta não daria em muitas cápsulas, sendo melhor adquirir o produto em pó ou sachê”.

Outro ponto abordado pela dermatologista é o horário que essa mistura deve ser ingerida. “O melhor horário é no período da noite. Nessa fase do dia o organismo libera hormônios ligados ao crescimento. Há também a necessidade de que se tome o mais longe possível das refeições”.

No mais, Cynthia orienta que antes de mais nada é necessário procurar um profissional e que uma boa suplementação jamais poderá substituir uma alimentação rica em nutrientes. “O colágeno pode agir e funcionar de forma muito melhor se todos os dias sua dieta for rica em proteínas, minerais e vitaminas”.

 



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