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O projeto “Re:pense” trará mensalmente nomes da filosofia, psicologia e coaching a Brasília. Voltado prioritariamente para o público feminino, o evento terá sua primeira edição na próxima terça-feira (18/4), a partir das 19h30, no auditório da Livraria Cultura do Casa Park.

A palestra “Qual marca você quer deixar na sua vida?” será ministrada pela especialista em pacientes terminais, Ana Claudia Quintana Arantes. Durante o encontro, a profissional pontuará como é possível viver bem, mesmo diante de adversidades, o quão importante é amar intensamente e como enxergar a morte como um processo natural e uma ferramenta empoderadora.

Ana, que é formada pela USP, pós-graduada em “Intervenções em Luto” e especialista em cuidados paliativos, presta assistência a pacientes terminais e suas famílias em São Paulo.

O ponto central desse tipo de disciplina — ainda pouco conhecida — não é curar ou prolongar os anos do paciente, mas aliviar os sintomas de sofrimento, oferecer dignidade e melhorar a qualidade de vida daqueles que enfrentam essa realidade.

Embora a palestra não tenha como intuito enfatizar a área de expertise da médica, Ana usará seu conhecimento para levar os convidados a refletirem sobre como viver uma vida mais proveitosa e significativa. Pensando nisso, decidimos bater um papo com ela sobre o tema da palestra.

 

O título da palestra questiona qual é a marca que gostaríamos de deixar na nossa vida. Como podemos descobrir isso em um mundo caótico e cheio de obrigações no dia a dia?

Quando falo sobre as marcas que pretendemos deixar nessa vida, estou querendo provocar uma reflexão sobre tudo em que a gente se apega na vida. E isso muitas vezes diz respeito a marcas tolas: roupa, comida, carro, grifes, enfim, coisas que trazem para nós um uma falsa perspectiva de segurança.

A possibilidade de sermos lembrados para sempre pelas marcas que usamos pode parecer meio superficial demais. Outro aspecto que podemos refletir é sobre as marcas que temos, que são as nossas cicatrizes: físicas e emocionais.

A marca que poderemos deixar no mundo vai de encontro à percepção da nossa essência de vida, do que as pessoas vão sentir quando lembrarem da gente. Essa nossa marca pode nos fazer sermos lembrados por sermos uma pessoa muito superficial, rude ou grosseira, ou podemos ser lembrados por causa da paz que demonstramos ter dentro de nós, pela amorosidade, generosidade, paciência, gratidão. Então qual a cicatriz, qual a marca que você deixa no sentimento das pessoas que você encontrou ao longo da vida?

Levando em consideração a sua trajetória profissional, o que você aprendeu com seus pacientes e familiares que possa auxiliar pessoas a viverem uma vida bem vivida?

Ao longo desses mais de vinte anos cuidando de pessoas, o que eu aprendo todo dia é uma nova versão de ser humano. E cada pessoa que encontro — cada paciente que cuido e toda família que esteja envolvida nesses cuidados — me mostra uma nova versão de como a gente pode ser humano nessa existência.

Isso amplia minha percepção de mundo e de realidade. Eu vejo que a leveza, a verdade, a sensibilidade e o compromisso que a gente precisa ter na vida deveria acontecer todo dia e não é só quando a gente fica doente ou quando alguém que a gente ama fica doente ou morrer.

Então o aprendizado é que a vida está acontecendo com você agora e não para de acontecer enquanto você está doente, triste ou decepcionado.

A vida também não para de acontecer quando você morre, porque a sua história, a sua marca ficará nas pessoas"

Na palestra e livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, você faz uma associação entre a fragilidade da vida e a inevitabilidade da morte. Acha que discutir a morte ainda é um tabu?

Eu penso que para você falar da vida com o compromisso, com a responsabilidade e a importância que a vida tem não há outro caminho que não seja entender que ela termina. Enquanto formos pelo caminho bobo e superficial de acreditar que a vida é apenas uma busca de sucessos, vantagens e poderes, estaremos abrindo mão de viver uma vida com sentido.

E se você abre mão de uma vida com sentido, abre mão da sua vida como um todo. Esta existência é uma oportunidade única, não posso deixar de viver cada minuto em plenitude, aprendendo qual o valor e significado das coisas e das pessoas.

Como está a expectativa para a palestra no dia 18? O que os brasilienses podem esperar?

Eu farei o meu melhor, compartilhando essa experiência incrível que tenho tido no meu dia-a-dia trabalhando com pessoas em fim de vida e todo aprendizado que elas me forneceram. Minha expectativa é que as pessoas cheguem lá com o coração aberto para receber essa possibilidade de contemplar morte com mais tranquilidade, com mais serenidade e que só por isso podemos encontrar a nossa melhor chance de ser feliz, sem restrições, sem condições.

 

SERVIÇO

Palestra da Drª Ana Claudia Quintana Arantes
“Qual marca você quer deixar na sua vida?”
Data: 18/4
Horário: 18h30
Endereço: Auditório da Livraria Cultura no Casa Park
Investimento: R$ 260 (Vagas limitadas)

Informações e inscrições: (61) 99409-5757



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