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Há quase dois anos as feiras e eventos voltados para o segmento da alta perfumaria começaram a dar destaque para os lançamentos de colônias. As fragrâncias leves – clássicas e com estruturas olfativas bem particulares – estavam em baixa até aquele momento. O mercado buscava produtos mais intensos, mas bastou uma temporada para perfumistas italianos, franceses e ingleses apostarem todas suas fichas no resgate da colônia.

Esse revival da “prima suave do perfume”, veio acompanhado de série de propostas atualizadas. As colônias do momento são sofisticadas e têm uma presença mais vibrante por conta de concentrados e extratos mais modernos.

Especialista em alta perfumaria e perfumaria de nicho, Cristiane Vilar, da Cosmopolitan Brasil, explica que todo o setor tem voltado os olhos para as “colônias criadas a partir de emoções”. O interesse vem das pessoas que estão cada vez mais interessadas em acessar memórias olfativas que remetem a lembranças pessoais. “As colônias têm cheiro de frescor, limpeza e conforto com o mínimo de saturação”, analisa.

Giovanna Bembom/Metrópoles

Em sua loja, Cristiane percebe um aumento de demanda nos últimos meses e muitas pessoas que buscam um perfume mais suave, fresco e que tenha uma boa fixação não sabe que está, na realidade, atrás ter uma colônia contemporânea e de boa qualidade. “Os brasileiros têm uma preocupação com a questão da fixação e é comum surgir o questionamento a respeito do tempo de duração na pele, mas é importante desmistificar isso: a longa duração da fragrância na pele não é sinônimo de qualidade”, ensina.

A expert sabe do que está falando. Ela acaba de receber em sua operação três marcas de colônias importadas. “Vamos trabalhar com as fragrâncias finas do Institut Tres Bien, que tem sede em Lyon, na França e opera desde o início do século 20. Apostamos na Cologne a la Russe, Cologne a l’italienne e a Cologne a la Francaise. Essa primeira coleção é uma homenagem a avó do proprietário Frédéric Burtin. O universo que esse perfumista trabalha é a homenagem ao passado que envolve a lembrança familiar dessa avó. Mas é importante dizer que não é algo datado, ao contrário, é super cool e confortável”.

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Outra aposta de Cristiane é a linha Les Grands Crus, da casa Berdoues. Assim como os grandes vinhos são chamados, essas colônias são de alta categoria. “Eles quiseram homenagear várias partes do globo, como o Japão, Taiti, Oriente Médio, a Sicília italiana, a Índia e até o Brasil, com fragrâncias cheias de identidade. A que faz referência ao Brasil se chama Selva do Brasil e é um charme”, indica.

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Já a marca La Manufacture é apresentada como uma empresa especializada em “parfums de caractere”. Suas colônias badaladas são vendidas em pontos de vendas de luxo como a Harvey Nichols, em Londres; e a Avery Milano, em Milão, e adoradas no Brasil. “A marca criada pelo francês Bruno Truchon Bartes homenageia todo o savoir-faire que é tradição na França. O artesanato refinado existente há séculos que é típico do país serve como principal fonte de referência para a produção de suas fragrâncias modernas”, exibe.

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Mitos e verdades
Para ser usada apenas no calor ou verão – Mito. Quem tem o costume de associar as colônias ao universo do calor, as novas versões das fragrâncias são um verdadeiro choque. O próprio Bruno Bartes criou uma colônia de inverno, batizada de Cologne Cashmere. “Ele conseguiu fazer uma composição fresca e ao mesmo tempo aconchegante, quentinha, com notas de fundo mais carregadas. A fórmula contém especiarias”, conta Cris.

Toda colônia tem aroma de campo – Mito. Se engana quem não acredita na versatilidade da colônia. Chamadas de “pretinho básico da perfumaria”, elas têm um frescor natural e ele não precisa vir só das notas cítricas. Há colônias que também trabalham referências do universo marinho. Aliás, a prática é tendência entre as novas colônias: opções que contêm notas de brisa marinha e atmosfera de balneário. Há ainda as colônias que seguem uma linha mais gourmet, com notas de manjericão, açafrão e canela – “mas o resultado é delicioso, a pessoa não fica com cheiro de comida ou salada”, brinca Cristiane.

São mais baratas que perfumes – Mito. As colônias contemporâneas são tão sofisticadas quanto perfumes e de tão elaboradas seus preços facilmente ultrapassam os valores de perfumes. Em alguns casos também demoram mais tempo para serem produzidas.

Colônia é coisa de homem, mulher usa perfume – Mito. Uma tendência na perfumaria atual é retirar a questão do gênero na hora da venda. As colônias, femininas ou masculinas, são vendidas para quem gostar da fragrância. “Essa nova maneira de apresentar o produto segue uma linha internacional em que o interessante é que a pessoa encontre um perfume para chamar de seu. Seja masculino, feminino, leve, intenso”, diz Cristiane. “Há homens que gostam de fragrâncias florais, mulheres que usam perfumes amadeirados, aqueles que preferem as opções cítricas, aquelas que compram aromas mais intensos e não há problema nenhum nisso”, aponta.

 Giovanna Bembom/Metrópoles

Conheça algumas das marcas mais cool que trabalham com colônias da atualidade: as italianas Santa Maria Novella e Acqua di Parma; a inglesa Jo Malone; a suíça Byredo; as francesas Annick Goutal e Frederic Malle.

 



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