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Eles estudam aproximadamente oito horas por dia, abrem mão de programas típicos de jovens e se esforçam ao máximo para chegar o mais próximo da excelência. Engana-se, porém, quem pensa que toda essa dedicação ao aprendizado é voltada ao exame do Enem ou para alguma prova de vestibular. A rotina regrada vivida por aproximadamente 1,2 mil jovens tem como foco a 9ª Olimpíada do Conhecimento, uma das maiores competições do mundo voltada para estudantes de cursos técnicos e de formação profissional. Criado em 2001, o evento ocorre a cada dois anos em diferentes cidades do país e será realizado entre 10 e 13 de novembro na área externa do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília.

Guilherme Benigno, de 20 anos, é um dos muitos jovens que irão disputar o torneio. Ao lado de colegas de equipe, divide os dias que antecedem a competição num ritmo de treinamento incessante para reforçar todos os passos do que pretende apresentar no evento. Ele cursa manutenção automotiva na unidade do Senai no DF e se interessou pela área ainda na infância. “Cresci brincando na oficina que o meu avô tinha”, lembra.

Cristiano Costa/Sistema FIBRA

Guilherme Benigno compete com sua equipe na categoria tuning

“Desde menino eu queria mexer com carros”, diz. “Procurei um curso que contribuísse na minha formação profissional e que também trouxesse uma realização pessoal”, conta. Benigno e seus colegam concorrem no Desafio por Equipes, dentro da categoria tuning, modalidade que tem como objetivo customizar diferentes partes de um carro, desde o interior até a mecânica. O projeto do estudante e de seus amigos foi pensado especialmente para o público jovem. “O carro tem design inovador. Apostamos na personalização e componentes diferentes, como uma suspensão com regulagem de altura”, revela.

Com provas que exigem habilidade técnica e conhecimento sobre o mercado de trabalho, a competição trouxe algumas alterações neste ano para deixar a edição mais dinâmica. “A Olimpíada do Conhecimento mudou para conseguirmos inserir, especialmente, provas em equipe. Com esse novo formato, é possível testar habilidades que serão muito exigidas dos profissionais do futuro, como capacidade de trabalhar em equipe, relacionamento interpessoal, liderança, gestão e comunicação”, explica o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

A ideia é deixar as provas ainda mais atrativas ao público, demonstrando, por meio de produtos e soluções, como os profissionais de cursos técnicos são importantes para a sociedade. Os participantes serão avaliados em seis diferentes categorias: Desafio por Equipe, Desafio Individual, Avaliação Prática, Inova Senai, Festival Sesi de robótica FLL (sigla para First Lego League) e na Mostra SESI de Ciências e Engenharia.

Infografia: Cícero Lopes/Metrópoles

Seis categorias, vários desafios
O Desafio por Equipe é dividido em sete provas: casa popular inteligente, carro conceito, soluções sustentáveis em TI, tuning, festa saudável, roupa multifuncional e produtividade leiteira. Cada equipe deverá apresentar um projeto inovador dentro de um eixo temático. É nesse desafio que serão selecionados os jovens para as outras avaliações da Olimpíada, como o Desafio Individual e a Avaliação Prática.

Já no Inova Senai, equipes com, no máximo, quatro integrantes vão propor produtos ou processos inovadores, desde a concepção até a apresentação para possíveis empresas interessadas em comercializá-los. No total, 30 projetos serão apresentados durante os três dias de torneio. Caberá aos visitantes do evento votar nos melhores.

Por fim, no Festival de Robótica estudantes de 9 a 16 anos de escolas públicas e do Sesi deverão apresentar as melhores soluções para resolver problemas do mundo real utilizando robôs montados com peças de Lego. Mais de 500 competidores divididos em 54 equipes participarão da disputa. Eles serão avaliados em diferentes categorias como o desafio do robô, em que precisam cumprir uma série de missões em uma mesa de prova.

De olho no mercado
Há pelo menos quatro meses, Jônatas Ferreira, de 18 anos, dedica a maior parte de seus dias para se preparar para a Olimpíada do Conhecimento. O jovem, que, além de ser formado em eletrotécnica, estuda sistema de instalação fotovoltaico, conta que optou pelas áreas profissionais de olho nas oportunidades oferecidas no setor.

“Além de me interessar pela área tecnológica que está sempre em desenvolvimento, resolvi fazer o curso complementar depois de perceber que existe uma grande demanda no mercado”, diz. Sempre curioso, ele conta que, quando criança, costumava desmontar os carrinhos de controle remoto para ver como a parte elétrica funcionava. “É uma área com que me identifico muito”, emenda.

Cristiano Costa/Sistema FIBRA

Jônatas Ferreira (esq.) e seus colegas preparam um projeto de casa do futuro

O técnico em elétrica compete junto com os colegas no desafio de construção e edificações. Nessa categoria, os concorrentes devem projetar e construir uma casa do futuro, de olho em aspectos como inovação e meio ambiente. Ferreira já perdeu as contas de quantas vezes olhou e analisou cada parte do projeto, no qual trabalha desde o início do ano. O time conta com sete integrantes, sendo que cada um é responsável por desenvolver uma parte da proposta que será apresentada na competição.

“Nosso projeto aposta em automação e sustentabilidade, uma casa verdadeiramente inteligente pensada para o futuro. Nesta reta final estamos bem alinhados e confiantes em nosso trabalho. Todas essas horas de estudo valem para a Olimpíada e, consequentemente, para crescer na carreira”, afirma.

Estudos e competição
Segundo Eliseia Tavares, coordenadora da Olimpíada do Conhecimento no Distrito Federal, os concorrentes que formam as duas equipes representantes do DF passaram por um processo seletivo em que foram avaliados quesitos como comportamento e aprendizado. “Eles têm perfil competitivo. Todos se comprometeram com os estudos não só visando à competição, mas também encarando como uma preparação para a carreira”, analisa a coordenadora.

Aprendizado teórico e prático, além da habilidade intelectual, são essenciais para o exercício profissional competente. É isso que a Olimpíada do Conhecimento quer priorizar. Além de premiar a dedicação dos estudantes, o torneio estimula jovens a seguir a carreira técnica e a valorizar esse tipo específico de ensino, que oferece cada vez mais oportunidades no Brasil.

Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai, aponta que o campeonato também incentiva o público interessado em educação profissional, além de trazer maior visibilidade para os benefícios proporcionados pelo ensino técnico de diferentes áreas. “O jovem ganha uma profissão para se inserir no mercado do trabalho, além de poder prosseguir com seus estudos. Dessa forma, ganham as empresas, com trabalhadores que contam com um nível de excelência maior, e a sociedade, pois vamos melhorar a produtividade do trabalho no país”, pontua.

Olimpíada do Conhecimento 2016
Quando: de 10 a 13 de novembro
Horário: das 9h às 17h
Local: Ginásio Nilson Nelson – Brasília

 

 

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