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EDITORIAL

Reprodução

Trocamos enfermeiro por técnico. Alguém quer saber como está Luan?

 

Na quinta-feira (15/9), a imagem de um bebezinho de oito meses, o Luan, comoveu milhares de leitores no DF e fora dele. O pequeno tinha o bracinho todo roxo, entumecido e que, de tão inchado, parecia deformado. Na junção do antebraço com o braço, havia sangue. A imagem chocante foi revelada por Alexandra, a mãe de Luan. Um misto de desabafo e de preocupação com o quadro de seu filho. O post publicado pelo Metrópoles alcançou 2.240.251 pessoas e gerou 27 mil reações apenas no Facebook. O conteúdo foi compartilhado por 13.957 usuários da rede.

O garotinho entrou no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) na terça-feira (13), aparentemente com um quadro de gripe. Por precaução, Luan foi encaminhado para fazer exame de sangue. Houve um problema durante a coleta. Uma profissional teve dificuldades para realizar o procedimento e acabou, segundo o relato oficial da Secretaria de Saúde, rompendo um vaso sanguíneo da criança.

O incidente provocou equimose e o inchaço no braço do bebê. A secretaria também disse que, após o episódio, a criança passou por novos exames, como Doppler, para verificar se havia comprometimento nas artérias. Nove dias depois do ocorrido, Luan continua internado. Seu braço ainda está com hematomas. Para reverter o quadro, a criança toma dois tipos de antibióticos.

Provocada pela repercussão do caso revelado pelo Metrópoles, uma equipe de fiscais do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) esteve na tarde de quarta-feira (21) no HRT.
Ao tentar esclarecer o ocorrido, os representantes do Coren-DF constataram que o profissional responsável pela coleta não fora um enfermeiro, mas sim um técnico de laboratório, servidor igualmente habilitado para fazer esse tipo de procedimento.

A partir do depoimento da mãe de Luan, o Metrópoles escreveu equivocadamente que uma enfermeira havia estourado a veia de bebê no HRT. Não foi uma enfermeira. Trata-se de uma técnica de laboratório, como o Coren constatou.

Acionada pelo Metrópoles antes da publicação da reportagem, a Secretaria de Saúde não fez reparo aos questionamentos do veículo, que abordou o órgão pedindo um posicionamento oficial quanto ao fato de uma enfermeira ter estourado a veia de um bebê. A secretaria explicou em detalhes o estado de saúde da criança e as providências que foram tomadas para garantir o bem-estar de Luan.

Na tarde desta quarta-feira, a mãe de Luan entrou em contato com o Metrópoles novamente e disse que havia se enganado. O profissional responsável pelo procedimento não era uma enfermeira, mas uma técnica de laboratório. Imediatamente, o portal corrigiu a informação.

Na manhã desta quinta (22), o conselho que representa os enfermeiros divulgou uma matéria em seu site afirmando que o Metrópoles publicou uma “informação falsa que revolta enfermeiros”. O conselho procurou o portal somente na manhã desta quinta, quando “pediu uma entrevista” com o repórter responsável pela matéria.

O Metrópoles tem um enorme respeito por todos os profissionais de saúde, técnicos de enfermagem, enfermeiros, técnicos de laboratórios, médicos, psicólogos, terapeutas.

Em sua atitude virulenta, corporativista e míope, o conselho, na visão do Metrópoles, não representa, neste episódio, a grandeza de seus profissionais associados.

O Metrópoles em nenhum momento citou o nome do profissional responsável pela coleta que feriu Luan. Sabemos dos riscos inerentes às atividades desses profissionais. Uma exposição como essa dependeria da conclusão de uma investigação, que cabe aos órgãos competentes.

A confusão entre técnico e enfermeiro se corrige prontamente. Foi feita tão logo o portal descobriu o equívoco, a partir da ligação da mãe do menino.

A convalescença de Luan, há nove dias internado, é bem mais delicada e deveria ser o foco dos profissionais de saúde, assim como dos de comunicação.

 
 


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