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Lilian Tahan

Daniel Ferreira/Metrópoles
Daniel Ferreira/Metrópoles

Cassação na Câmara só em caso de arrogância. O resto é contornável

 

O corregedor da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (PMDB), aproveitou o calor do forno ligado por integrantes da Mesa Diretora para assar a pizza dos processos contra os deputados investigados na Drácon e colocou junto a fatia de Liliane Roriz (PTB).

Assim, além de Liliane, Celina Leão (PPS), Bispo Renato (PR), Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeito (PPS) e Julio Cesar (PRB), todos acusados por quebra de decoro parlamentar, foram calorosamente abraçados pelos seus pares, que não negam a vocação para o corporativismo.

Por mais embaraçoso que seja fazer vista grossa para episódios flagrantemente em desconformidade com a boa prática política, os distritais tiram de letra.

Tudo em nome do status quo. É desgastante condenar um colega. Pior, é um perigo numa Casa em que o escândalo ronda quase metade dos gabinetes.

Faz parte da qualificação de um parlamentar ter a frieza de engolir o orgulho para preservar o mandato. Celina e Liliane sabem disso. Uma gostaria de ver a outra queimando no mármore do inferno político. Mas, para as duas alcançarem o limbo, precisam estar juntas, abraçadas a um grande acordo de redenção coletiva.

Recebimento de propina e compra de votos são crimes graves que devem ser apurados e, caso confirmados, punidos nas esferas judiciárias e da vida pública. Mas os distritais não se sentem preparados para fazer o papel de juízes em casos tão cabeludos. Condicionaram qualquer movimentação sobre esses incômodos assuntos aos desfechos judiciais.

Na Câmara, o único pecado que não tem perdão é o da arrogância. O distrital Raad Massouh, cassado em 2013, está aí para confirmar até onde vai a tolerância dos colegas. O deputado nunca foi denunciado pelos crimes atribuídos a ele à época em que era parlamentar, mas acabou sumariamente despejado do mandato. Não tinha uma boa relação com seus pares. Falta gravíssima.

 
 


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