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Rômulo Neves

Michael Melo/Metrópoles
Michael Melo/Metrópoles

As 7 lições que tiramos do impeachment de Dilma

Rômulo Neves
 

Bateu uma puta vontade de escrever textão, pois acho que hoje é um dia especial, mas, como vi uma caralhada de textões por aqui, vou escrever apenas um textinho, porque, se não, ninguém vai ler:

– Dilma teve a melhor atuação de sua vida pública nestes últimos dias. Falou por 14 horas e gerou apenas um meme, injusto inclusive. Foi cordata, corajosa e segura. Mas o feito não apaga a falta de habilidade pretérita. O discurso lido foi excelente. As respostas nem tanto. Mas melhoraram ao longo do dia, apesar de repetitivas e, muitas vezes, sem entrar no âmago dos questionamentos. E isso não tem nada a ver com a repetição das perguntas. E isso não garante que ela seja uma líder ou uma boa governante. Apenas teve uma boa performance.

– O nível do Senado é melhor do que o da Câmara. Talvez menos deputados seja uma opção a se considerar.

-O que muitos consideraram um debate de alto nível é o que, em tese, ocorre em parlamentarismos. Outra opção a se pensar, apesar de vários riscos.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

 

– A tese de golpe, peça de marketing, perdeu força. Acho que o PT errou ao apostar nisso. Não sei se haveria outra opção, já que o partido estava encalacrado, mas, definitivamente não colou. E “colar” significa convencer indecisos, não ser repetido por partidários.

– Não se trata de fim da democracia. Aliás, é apenas uma manobra dentro da democracia representativa que temos. A permanência de Dilma também teria sido uma manobra. A vitória do impeachment não é fim de nada. A democracia e todas as suas manobras seguem ilesas — felizmente e infelizmente, respectivamente.

Daniel Ferreira/Metrópoles

– Aliás, o desmembramento do julgamento parece final de capítulo de série da Netflix, já que deixa brechas para próximos capítulos, uma tensão no ar tipo “porra, e agora?”. Como assim, o impeachment não gerar perda de direitos políticos? Poderia parecer acordão, mas tem muito de prêmio de consolo por parte de alguns senadores, que parecem não ter muita convicção do que votaram. Não sei explicar esse tipo de decisão. Eu e a Glória Pires…

– Continuo convicto de que, nessa disputa específica, não há lado bacana. Não tem jeito de defender o que estava. Não tem jeito de comemorar o que vem pela frente. Se você vê algum risco à democracia, você (ainda) tem todos os instrumentos para participar da vida política e evitar retrocessos. Levante a bunda da cadeira. Organize-se de maneira inteligente — ou então: voltamos à programação normal…

 
 


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