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Lilian Tahan

Michael Melo/Metrópoles

A dificuldade do GDF não é só financeira. É de gestão e de comunicação

 

Em 29 de setembro, a Secretaria de Fazenda do DF convocou a imprensa para divulgar o balanço financeiro referente ao segundo quadrimestre do ano. No meio de um mar de números e percentuais pouco favoráveis, o secretário João Antônio Fleury anunciou que o governo preparava um projeto de lei para atualizar os valores venais (de avaliação) dos imóveis. Ou seja, aumento de IPTU. A revelação foi absorvida como mais um tijolo a pesar no bolso do brasiliense.


No dia 11 de outubro, a agência de notícias do GDF publicou em sua página que o restaurante comunitário do Sol Nascente, em Ceilândia, passaria a oferecer café da manhã e jantar ao preço de R$ 0,50. Ótima notícia para uma população, tão grande quanto os problemas que ostenta.


Era 16 de fevereiro quando o governo local oficializou, por meio de decreto (37.121), uma série de medidas para diminuir despesas. Uma delas proibia pagamento de diárias, passagens, participação em cursos, seminários e eventos. Salvo excepcionalidades. A outra estabelecia cotas de combustível para veículos oficiais.

E o que os três anúncios oficiais têm em comum? Geraram expectativas (boas ou ruins) sem resultados.

Durante coletiva na manhã desta sexta-feira (14/10), o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) informou que não pagará a última parcela de reajuste devido aos servidores. Na mesma ocasião, Rollemberg tirou o bode que o secretário de Fazenda colocou na sala do Buriti. Declarou que não aumentará o IPTU para além da inflação em 2017: “Não vamos passar essa conta para a sociedade”. Mas há 15 dias o governo estava disposto. O que mudou? Mudou o humor dos distritais. Eles não querem comprar essa briga com o cidadão. E derrotariam o GDF na Câmara Legislativa.


Um dia depois de dar a boa nova sobre refeições mais baratas no Sol Nascente, o governo revisou o primeiro comunicado e disse que o serviço era em caráter experimental, com validade de 90 dias. Avisou também que a continuidade da medida dependeria de um estudo de viabilidade, considerando-se demanda e custos.

Um governo eleito para organizar orçamento complexo como o do DF não consegue prever o impacto de uma medida pontual como essa? Ou acha mais prático implementar a ação e, se não der certo, cortá-la em seguida? Confuso para a população que já experimentou, em menos de dois anos, restaurante comunitário a R$ 1, R$ 2 e R$ 3, e agora é convidado a petiscar o benefício a R$ 0,50.


Quanto à suspensão de viagens que geram despesas em época de crise, o episódio da ida do secretário de Turismo para Las Vegas colocou em dúvida a autoridade do decreto assinado por Rollemberg. O caso de Jaime Recena não foi o único. Reportagem do Metrópoles mostra neste sábado (15/10) que vários outros secretários viajaram a despeito da determinação oficial. O governador também.

Fica difícil confiar no discurso oficial quando o GDF, mesmo com poder de barganha, compra gasolina mais cara do que o cidadão comum, como revelou o Metrópoles.

Por que o governo cria regras que não consegue cumprir? É adepto ao masoquismo?

Episódios recentes demonstram que a dificuldade do GDF vai muito além do aperto financeiro, é de gestão e de comunicação. Notícia ruim é melhor que seja curta e breve. Se for boa, que esteja protegida de hesitação ou revés. Soa amador e gera desgaste com a população quando o governo transmite mensagens pouco confiáveis.

 
 


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