MP cobra melhorias na unidade de internação de Santa Maria
De acordo com o órgão, há problemas em instalações contra incêndios, sinalização de segurança, equipamentos contra descargas elétricas, que colocam em risco a vida dos socioeducandos

A 1ª Promotoria de Justiça de Execuções de Medidas Socioeducativas da Infância e da Juventude ajuizou ação civil pública para que o Distrito Federal corrija irregularidades na Unidade de Internação de Santa Maria, que recebe menores infratores. A ação pede a antecipação de tutela, pois há necessidade de apreciação urgente do Poder Judiciário em virtude do dano que pode ser causado aos socioeducandos.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deu o prazo de 90 dias para que o DF regularize o projeto contra incêndio e pânico, instale sistema de sinalização de segurança e iluminação contra incêndio, sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) e central de gás. Além disso, as saídas de emergência devem ser adequadas.O Distrito Federal também deverá construir janela gradeada na sala dos agentes para possibilitar a vista direta do corredor e facilitar a propagação do som. Para reduzir o tempo de evacuação em um eventual incêndio, deverá ser instalada uma porta de acesso no final do corredor dos módulos com trancas voltadas para fora.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm caso de descumprimento, o DF terá de pagar multa diária de R$ 5 mil, revertido ao Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, sem prejuízo de responsabilização funcional, por improbidade administrativa e criminal.
Segundo o promotor de Justiça Renato Varalda, “a ação visa compelir o Executivo à obrigação de implementar melhorias na Unidade de Internação de Santa Maria, de modo a garantir aos socioeducandos proteção à integridade física e preservação à dignidade”. Varalda acrescenta que “há julgados do Supremo Tribunal Federal nesse sentido, ou seja, na possibilidade de o Poder Judiciário intervir na discricionariedade do Poder Público”.
Relatórios
A promotoria já havia solicitado à Secretaria de Perícias e Diligências do MPDFT a elaboração de relatório sobre as condições da unidade. O documento identificou a necessidade de reformas para reduzir o tempo de evacuação nos módulos e facilitar a dispersão da fumaça em um eventual incêndio. Verificou-se também a falta de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas. Além disso, não há treinamento específico para os agentes.
Outros órgãos também constataram irregularidades na Unidade de Internação de Santa Maria. O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, fez um relatório que identificou problemas nas estruturas físicas e administrativas.
Foram avaliados o acesso à unidade; a infraestrutura; as rotinas dos jovens; o contato com o mundo exterior; as medidas disciplinares excessivas; a saúde; as condições materiais; a equipe técnica; a visita íntima; e a alimentação. (Informações do MPDFT)



