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Localizada em um dos pontos mais nobres de Brasília, a mansão do empresário e ex-senador Valmir Amaral está longe dos dias de luxo e glamour. No terreno de quase 20 mil metros quadrados ficavam um campo de futebol, duas quadras esportivas, um estacionamento para barcos, um heliporto e uma área de churrasqueira com cozinha. Mas todas essas benfeitorias estão abandonadas e são usadas apenas por moradores de rua e pescadores, mesmo que de forma irregular.

A equipe do Metrópoles esteve na casa localizada na QL 8 do Lago Sul, próxima à Ponte das Garças, e foi recebida pelo vigilante José Domingos, 54 anos. O funcionário, que trabalha para a família Amaral há 17, conta que o local está fechado desde agosto do ano passado, quando a operação de desobstrução da orla derrubou parte da cerca do terreno que invadia área pública. A área irregular, segundo o GDF, inclui a maior parte do jardim da mansão.

O vigilante reveza os cuidados da casa com outro funcionário, que permanece no período da noite. Segundo Domingos, a vigilância foi exigida após um roubo ocorrido em outubro de 2016. “Os ladrões entraram com uma escada, subiram na varanda, entraram nos quartos e levaram as coisas”, conta ele. Entre os bens levados, estavam cinco televisões, dois fornos micro-ondas e outros pertences menores.

Dali em diante, Domingos ficou responsável por evitar novas invasões da área mais próxima da casa, incluindo a piscina, que continua cheia, mas com a água turva pela falta de cuidados. “Tem gente que vem aqui pedir para nadar. Mas explico que não pode. Até hoje, não teve confusão”, relata o vigilante.

Se o espaço próximo à mansão é respeitado pela presença de Domingos, o mesmo não se pode dizer do restante do terreno. A área considerada pública tornou-se abrigo de moradores de rua e usuários de drogas.

Durante a visita do Metrópoles na manhã desta quinta-feira (5/1), três homens estavam na antiga área de churrasqueira, mas saíram ao avistar a equipe de reportagem. Deixaram para trás evidências de que habitam o local há algum tempo. Panelas, roupas, alimentos, escovas de dentes e outros utensílios fazem parte do cenário.

Pesca e “gato”
O terreno da família Amaral, que ia até à beira do Lago, contava também com dois píeres. Se antigamente eles reservavam uma vista privativa a amigos e familiares, agora são disputados pelos pescadores.

Com o carro estacionado no local, um homem que se identificou apenas como vigilante Hernandes conta que começou a usar o espaço há pouco mais de um mês. “O rapaz que me vende as iscas disse que aqui era bom. Mas hoje em dia tem muita gente”, reclama. Mesmo assim, ele e dois amigos não se importam em pescar no local.

A falta de fiscalização e de obras também contribui para a ocupação irregular na região. Vizinho ao terreno de Amaral, um pequeno barraco foi construído às margens do Lago. No momento que a reportagem esteve no local, não havia ninguém na pequena moradia, mas um “gato” no poste de luz mostra que o ocupante tem até mesmo energia elétrica, além da vista privilegiada da orla.

Ataque
Procurado pelo Metrópoles, o empresário Valmir Amaral alega que a família abandonou a casa após a operação de desobstrução com medo da falta de segurança. “Esse ato foi um ataque do governador (Rodrigo Rollemberg) contra meus familiares. Minha mãe passou mal no dia e teve de ser levada ao hospital. E não há como ela voltar para lá, enquanto pessoas usarem o local para beber, usar drogas ou fazer suas necessidades fisiológicas”, diz o ex-senador.

A mansão chegou a ser apontada como objeto de leilão para o pagamento de dívidas trabalhistas, mas, após ação judicial, segue sob posse da família Amaral. Enquanto o empresário recusa-se a retornar para a mansão, vizinhos parecem ter se conformado com a situação, construindo novas cercas nos locais determinados pelos órgãos de fiscalização do GDF.

 

 

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