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A falta de energia que acabou levando uma mulher a subir escadas para chegar ao apartamento onde morava, no quarto andar, em um prédio de Águas Claras, não foi um incidente isolado. Elisângela Rodrigues, 44 anos, morreu após passar mal quando estava no segundo andar do bloco G do condomínio Top Life, na Rua 36 Norte. Segundo o síndico do edifício, o policial militar aposentado Edmilson da Cunha (foto de destaque), os problemas na estrutura elétrica são recorrentes na rua. Ele contou ao Metrópoles que, minutos antes de a energia cair, um transformador explodiu.

O administrador salientou que as falhas ocorrem com frequência e é reclamação antiga dos moradores. “Não sei se o transformador estourado influenciou na queda de energia. Mas o problema é comum. Inclusive, já ocorreu neste ano”, relatou.

Por meio de nota, a Companhia Elétrica de Brasília (CEB) alegou que a interrupção no fornecimento de energia ocorreu por causa de um urubu, “que fechou curto na rede”. Segundo a empresa, o apagão durou uma hora e 18 minutos, das 17h26 às 18h44. A companhia, entretanto, afirmou que foi a primeira ocorrência de falta de energia no condomínio Top Life neste ano.

Moradora do edifício há cerca de três anos, Elisângela subia os degraus porque os elevadores não funcionavam devido à queda de energia. Por volta das 19h, sofreu um infarto. Foi reanimada duas vezes, mas não resistiu.

Chegando de viagem
A mulher havia acabado de chegar de viagem. Antes de falecer, um morador identificado como Rodrigo ofereceu ajuda e levou as malas dela ao apartamento, no quarto andar. Quando desceu, o rapaz voltou a encontrá-la subindo as escadas. Ela agradeceu pelo favor. Minutos depois, desabou sobre os degraus.

Diego de Castro, bombeiro que prestou os primeiros socorros à vítima, descreveu o estado de Elisângela quando a encontrou. “Ela estava caída, mas sem ferimentos na cabeça. Em um primeiro momento, eu não soube se ela tinha tropeçado ou passado mal”, detalhou. “Mas depois vi que os lábios e as extremidades dos dedos das mãos tinham roxidão. Então, pensei que ela tivesse sofrido parada cardíaca.”

O bombeiro fez uma massagem cardíaca e, depois, respiração boca a boca. Contou que conseguiu reanimá-la. Com a ajuda de outra moradora, levou a mulher para o térreo, onde aguardaram a chegada do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Disse que o pai de Elisângela, também morador do edifício, mencionou que a filha sofria de diabetes. De acordo com ele, não há como relacionar a doença à parada cardíaca. Além disso, não é possível afirmar que o fato de Elisângela ter subido as escadas contribuiu para a morte dela.

Diego demonstrou frustração por não ter conseguido salvar a mulher. Ele trabalha no centro de formação do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e não atua nas ruas há 10 anos.

O Metrópoles procurou a família da vítima, que não quis se manifestar.

 

 

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