*
 

Thordis Elva era uma adolescente de 16 anos quando foi estuprada pelo namorado, Tom Stranger. O jovem tinha 18 anos à época e se aproveitou que a mulher tinha bebido rum para violentá-la. Foi preciso muito tempo para que ela tivesse noção de que havia sofrido violência sexual e, por isso, não denunciou o caso quando aconteceu.

“Eu tinha 16 anos e estava apaixonada pela primeira vez na vida. Fiquei machucada e chorei muito por semanas, mas tudo era muito confuso para mim. Tom era meu namorado, não um lunático. E o estupro ocorreu na minha cama, não em uma viela. Quando finalmente concluí que havia sido estuprada, Tom já tinha voltado para a Austrália, ao final de seu programa de intercâmbio”, disse à BBC.

Foi preciso nove anos para que ela compreendesse o que havia ocorrido e, com isso em mente, escreveu uma carta para o ex-namorado contado tudo. Stranger respondeu, confessando o estupro e afirmando que faria “o que fosse necessário”. Os dois, então, escreveram um livro juntos, o que chamou atenção dos organizadores de conferência TED.

Desde então, eles palestram interpretando o diálogo do livro, no qual agressor e vítima podem se colocar frente a frente para discutir o trauma de ambos, chamada de “Nossa história de estupro e reconciliação”. “Repudiei o ato mesmo quando o cometia. Mas contei para mim mesmo uma mentira, a de que havia sido sexo, não estupro. Negligenciei o imenso trauma que causei a Thordis. E a mentira me deixou com uma culpa atroz”, afirma Stranger.

Críticas

A decisão tem causado repúdio de outras mulheres vítimas de estupro, que criticam Stranger por lucrar em cima do seu crime. Tanto ele quanto Thordis se defendem garantindo que, em casos como esse, é preciso “desmonstrificar” os agressores.

“A demonização dos agressores pela mídia atrapalhou minha recuperação. O fato de Tom não ser um monstro e, sim, uma pessoa que tomou uma decisão terrível tornou ainda mais difícil para mim reconhecer seu crime. A violência sexual não pode ser tratada apenas como assunto feminino”.

Ativistas apontam que o caso entre Thordis e Tom é único e não pode ser usado como exemplo para entender os demais. “O debate é bem-vindo, mas com ressalvas, porque cada experiência (de estupro) é única”, garante Fay Maxted, do Survivors Trust. Esses grupos, agora, pedem que Stranger questione outros estupradores de forma pública, para que estes também participem da discussão.

 


 

COMENTE

Machismoestuproviolência contra a mulhercultura do estupro
comunicar erro à redação