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Política

Nesta terça-feira (5/1), oposição de governo socialista assume Legislativo pela primeira vez em 17 anos na Venezuela

A posse ocorrerá às 13h30. Novos congressistas prometem usar poder para fazer grandes mudanças, enquanto base liderada por Maduro pretende impedir qualquer retrocesso na "revolução bolivariana" iniciada por Hugo Chávez

05/01/2016 09:32, atualizado 05/01/2016 12:45
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Nesta terça-feira (5/1), oposição de governo socialista assume Legislativo pela primeira vez em 17 anos na Venezuela

A nova Assembleia Nacional da Venezuela toma posse nesta terça-feira (5/1), às 13h30 (no horário de Brasília), fazendo com que o Legislativo seja dominado por rivais do governo socialista de Nicolás Maduro. Em vez de um cerimonial calmo, o dia no país é de manifestações contra e a favor do governo nas ruas, troca de acusações de ataques à democracia e de risco de violência.

Pela primeira vez em 17 anos, os rivais da revolução socialista controlarão a Assembleia Nacional. Os novos congressistas opositores prometem usar seu poder para fazer grandes mudanças, enquanto a situação liderada por Maduro pretende manter a firmeza e impedir qualquer retrocesso na “revolução bolivariana” iniciada por Hugo Chávez.

Na semana passada, o Tribunal Supremo suspendeu a posse de três legisladores da oposição, em resposta a um pedido de partidários dos socialistas, que acusaram a oposição de manipular as eleições legislativas de 6 de dezembro. A decisão poderia eliminar a maioria de dois terços da oposição, necessária para tomar decisões importantes, como a destituição de altos funcionários ou realizar uma reforma constitucional.

O novo presidente do Congresso, Henry Ramos Allup, secretário-geral do partido Ação Democrática (AD),reiterou na segunda-feira (4) a promessa de tomar o juramento de todos os legisladores e disse que Maduro deveria avaliar a possibilidade de renunciar para salvar a Venezuela de uma crise política. Ramos Allup é um político experiente, que começou a carreira antes da era de Chávez.

A Venezuela é muito dependente do petróleo, que está em queda livre nos mercados internacionais. O país sofre com a inflação de três dígitos e a recessão econômica mais profunda do mundo.

Ramos Allup
Advogado nascido na cidade venezuelana de Valencia, descendente de libaneses, Ramos Allup representa a velha guarda política que o presidente Hugo Chávez (1999-2013) descreveu em seus primeiros discursos eleitorais como um mal a combater.

Tendo manifestado cedo a sua afinidade com a política, juntou-se às fileiras da AD, partido que venceu seis vezes as eleições presidenciais e que, tendo perdido força após a primeira eleição de Chávez, a restaurou por meio da Mesa da Unidade Democrática (MUD), uma aliança de forças da oposição formada em 2008 e que hoje reúne cerca de 30 organizações políticas.

Eleito deputado nas legislativas de 2000, Ramos Allup foi escolhido representante no Parlamento Latino-americano em 2010, sendo vice-presidente da Internacional Socialista desde 2012.

Em abril de 2014, tornou-se fundamental no processo de diálogo entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição venezuelana, para aliviar o clima de tensão criado no âmbito de uma onda de protestos antigovernamentais que deixou 43 mortos e centenas de feridos.

Tendo acusado Hugo Chávez de estar “separado” da Constituição, onde não figuram a palavra “revolução” ou a expressão “união cívico-militar”, que o presidente defendia, Allup também criticou a discriminação política do governo contra aqueles que não eram a favor do chavismo.

Em 6 de dezembro de 2015, Ramos Allup foi eleito deputado para o período 2016-2021, com 139.435 votos (69,83%), assumindo agora o lugar de presidente da Assembleia Nacional Venezuelana.