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Foragida de seu país, a ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega Díaz inaugurou nesta quarta-feira (23/8), em Brasília, uma cúpula de chefes de Ministérios Públicos de países do Mercosul com a promessa de denunciar vínculos do presidente chavista Nicolás Maduro com o esquema de corrupção da empreiteira brasileira Odebrecht.

A seus colegas na reunião, ela denunciou “a morte do direito” sob o governo Maduro e advertiu que a crise política no país coloca em perigo o equilíbrio de toda a região. “O que acontece na Venezuela é a morte do direito. A estabilidade da região está em perigo”, declarou Ortega Díaz. Após a cúpula, ela se encontrará com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes.

A chegada da dissidente a Brasília foi precedida pelo anúncio de que Caracas tentará pedir sua prisão internacional via Interpol. Este é o mais recente capítulo da crise que isolou a Venezuela de seus sócios regionais, após a instalação de uma Assembleia Constituinte com poderes absolutos, considerada por muitos como uma ruptura da ordem democrática.

Ortega Díaz chegou sorridente à capital brasileira nesta madrugada, em meio a um forte esquema de segurança, e deixou claro qual é seu objetivo. “Sim, vou falar da Odebrecht, do caso de corrupção na Venezuela e da minha situação”, adiantou. Ela afirma ter provas de supostos pagamentos ilegais da Odebrecht a integrantes do governo venezuelano, incluindo Maduro.

Horas antes, em Caracas, o presidente venezuelano falou sobre a ex-funcionária, apoiadora do ex-presidente Hugo Chávez, mas que rompeu com Maduro em março após denunciar uma ruptura da ordem constitucional no país caribenho.

“A Venezuela vai solicitar à Interpol um código vermelho a estas pessoas envolvidas em crimes graves”, destacou Maduro em coletiva de imprensa.

A ex-procuradora de 59 anos saiu de Bogotá um dia depois que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lhe ofereceu asilo. Rumo ao Brasil, ela fez escala no Panamá.

Ortega Díaz, de 59 anos, foi destituída no último 5 de agosto. Chavista histórica, ela decidiu enfrentar Maduro, que a denunciou por supostamente estar envolvida em um esquema de corrupção. “Andas com a oligarquia colombiana, com os golpistas brasileiros. Diga-me com quem andas e te direi quem és”, atacou o presidente venezuelano.

Sua chegada deixou o governo de Michel Temer (PMDB-SP) em silêncio, e até a própria Procuradoria-Geral da República (PGR), que a convidou, preferiu não fazer declarações sobre o significado político da visita. Na reunião, ela se sentou junto a seu colega brasileiro, Rodrigo Janot.

Não se sabe se a Interpol aceitará o pedido de prisão anunciado por Maduro. Está previsto nos estatutos da polícia internacional que é “rigorosamente proibido intervir em questões ou assuntos de caráter político, militar, religioso ou racial”.

 

 

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