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A morte de Fidel Castro, uma das personalidades globais mais importantes e polêmicas dos últimos 50 anos, provocou hoje (26/11) reações diferentes do atual e do futuro presidente dos Estados Unidos. O presidente Barack Obama, que fez do restabelecimento de laços diplomáticos com Cuba um marco de seu governo, disse neste sábado que os Estados Unidos estendem a mão da amizade ao povo cubano.

Já o presidente eleito Donald Trump, que está passando o fim de semana em seu resort em Palm Beach, na Flórida, divulgou duas mensagens sobre a morte de Fidel Castro. Na primeira, ele se limitou a dizer pelas redes sociais a seguinte frase: “Fidel está morto”. Em outra declaração, divulgada horas mais tarde, Donald Trump se referiu a Fidel como um “ditador brutal que oprimiu seu próprio povo por quase seis décadas”.

As declarações em sentido oposto de Obama e de Trump provocam indagações de especialistas sobre o futuro das relações entre os Estados Unidos e Cuba. Pelo lado de Trump, o que está valendo é uma declaração que ele fez, durante a campanha eleitoral, em um comício em Miami, em setembro. Trump disse, na época, que pretendia reverter ações empreendidas pelo presidente Barack Obama com relação a Cuba, a menos que o regime cubano comece a reconhecer a “liberdade religiosa e política” e libertar prisioneiros políticos.

Na declaração divulgada hoje, Trump diz que o “legado de Fidel Castro é [marcado] por  pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e a negação dos direitos humanos fundamentais”.

Segundo Donald Trump, “Cuba continua a ser uma ilha totalitária”. Ele acrescentou: “Espero que hoje marque um afastamento dos horrores duradouros, e [abra um caminho] para um futuro em que o maravilhoso povo cubano finalmente viva na liberdade que tão ricamente merece”.

Trump disse que seu governo “fará tudo o que puder para  garantir que o povo cubano possa finalmente iniciar seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade”.

Obama: Fidel foi uma figura singular

Já a declaração de Obama enfatiza a amizade. “Sabemos que esse momento enche os cubanos – em Cuba e nos Estados Unidos – de emoções poderosas, lembrando as inúmeras maneiras pelas quais Fidel Castro alterou o curso das vidas individuais, das famílias e da nação cubana. A história registrará e julgará o enorme impacto dessa figura singular no povo e no mundo ao seu redor”, disse.

Obama afirmou que, por quase seis décadas, a relação entre os Estados Unidos e Cuba foi marcada pela discórdia e profundos desentendimentos políticos. “Durante a minha presidência, trabalhamos muito para colocar o passado para trás,  prosseguindo [em direção] a um futuro no qual a relação entre os nossos dois países não é definida pelas nossas diferenças, mas pelas muitas coisas que partilhamos como vizinhos e amigos – laços de família, cultura, comércio e humanidade comum. Este engajamento inclui as contribuições dos cubano-americanos, que tanto fizeram pelo nosso país e que se preocupam profundamente com seus entes queridos em Cuba”, disse Obama.

Em relação à morte de Fidel Castro, Obama disse: “Hoje, oferecemos condolências à família de Fidel Castro, e nossos pensamentos e orações estão com o povo cubano. Nos próximos dias, eles vão recordar o passado e também olhar para o futuro. Como eles, o povo cubano deve saber que eles têm um amigo e parceiro nos Estados Unidos da América”.

 

 

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