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Imigrantes e seus defensores devem realizar manifestações em 50 cidades dos EUA neste sábado (14/1), na primeira mobilização em larga escala desde a eleição de Donald Trump. Organizadores representando grupos de direitos civis, religiosos e de imigrantes disseram ter mobilizado milhares de pessoas em todo o país.

Eles disseram que as manifestações, conhecidas como “Dia de Ação”, vão inaugurar uma nova fase de ativismo em resposta à retórica incendiária adotada por Trump contra mexicanos durante a campanha, e à promessa do presidente eleito de reprimir a imigração ilegal.

“Estamos preparados para defender nossos sonhos e nossas famílias, não importa o que aconteça”, disse Ricardo Zamudio, da organização Neighborhood Ministries, de Phoenix, Arizona. “Há muita coisa em jogo.”

Ativistas vão pedir que prefeitos e autoridades locais protejam comunidades de imigrantes. Várias cidades já se comprometeram a proteger imigrantes de autoridades federais de imigração.

Após a eleição de Trump, “há uma sensação profunda de medo e preocupação em comunidades de imigrantes”, disse Christina Jimenez, diretora executiva da United We Dream, uma organização nacional. “Ao mesmo tempo, não vamos voltar a viver nas sombras, de jeito nenhum”, disse.

As manifestações coordenadas deste sábado representam um novo capítulo no movimento de direitos dos imigrantes, que nasceu em 2006. Naquele ano, mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra um projeto de lei que tornaria crime a assistência a imigrantes ilegais.

O projeto de lei, do representante republicano F. James Sensenbrenner Jr., de Wisconsin, foi derrotado no Senado. Mas o Congresso não conseguiu chegar a um acordo para reformar o sistema de imigração do país e abordar a questão dos 11 milhões de pessoas que vivem no país ilegalmente.

Jovens sem documentos fizeram manifestações, greves de fome e lobby para pressionar o presidente Barack Obama a assinar uma ordem executiva e trazer alívio para aqueles que chegaram ao país ilegalmente quando ainda eram crianças. Em resposta a essas demandas, Obama lançou em 2012 um programa conhecido como Daca, que impede a deportação e autoriza o trabalho de jovens nessa situação, e é renovável a cada dois anos. Atualmente, 750 mil jovens fazem parte do programa.

Durante sua campanha, Trump prometeu eliminar todos os programas criados por meio de ordem executiva. No entanto, após a eleição, o presidente eleito suavizou o tom de suas declarações, e disse que pode considerar outras opções para beneficiários do programa

Ativistas disseram que, nas manifestações deste sábado, vão pedir que o programa seja mantido. “Depende de nós defender essa enorme vitória”, disse Oscar Hernandez, um dos beneficiários do Daca em Houston.

“Este é um ato de resistência”, disse Phil Carrasco, presidente do Grupo Latino de Accion Direto, que vai levar manifestantes de Eugene, no Oregon, para a capital do Estado, Salem. “Nós, imigrantes, temos o poder de proteger uns aos outros e nosso sonho americano”, disse.

 

 

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