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Mundo

Mãe mantém corpo da filha em casa por semanas após morte prematura

"Se ela tivesse simplesmente desaparecido de casa, depois colocada em um caixão para nunca mais ser vista, eu ainda a estaria procurando"

26/06/2017 12:11, atualizado 26/06/2017 12:53
IStock
Mãe mantém corpo da filha em casa por semanas após morte prematura

A inglesa Gilli Davidson viu sua filha, Niamh Storey Davidson, morrer aos 9 anos após lutar contra um tumor de Wilms — um câncer raro de rim que afeta crianças. A pequena faleceu em casa, ao lado dos pais.

Em meio à tristeza, Gilli tinha uma certeza: queria doar os olhos de Niamh, os únicos órgãos da garota que não tinham sido afetados pela doença. No entanto, o procedimento “atrasou” o luto da mãe. Ao ser retirada para o recolhimento do órgão, Gilli viu sua filha sair de casa em uma maca, com travesseiro, envolta em um lençol de algodão e uma fina cobertura de veludo com folhas. “Para famílias é muito difícil testemunhar o corpo de um ente querido sendo retirado de casa”, afirmou à BBC. “A pessoa pode ter morrido, mas ainda é sua armadura, seu receptáculo.”

No dia seguinte, Gilli conseguiu levar sua filha de volta para casa. Para isso, precisaria tomar algumas providências, em especial em relação à temperatura. Como era novembro, um mês frio no hemisfério Norte, Gilli colocou a filha em um quarto da casa com as janelas abertas. No Reino Unido, manter um corpo em casa antes do funeral é raro, mas não é ilegal.

“Ela ficou lá, deitada no sofá com seus cobertores e almofadas”, contou Gilli. “Eu não conseguiria tê-la deixado em outro lugar. Apenas não parecia a coisa certa. Ela tinha acabado de fazer nove anos, ainda parecia que era parte de mim.”

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Niamh permaneceu em casa por quase três semanas, com os olhos fechados. “Pude dar banho nela e colocar suas roupas favoritas. A principal coisa para mim era tornar sua morte real. Se ela tivesse simplesmente desaparecido de casa, depois colocada em um caixão para nunca mais ser vista, eu ainda a estaria procurando”, explicou a mãe.

À BBC, Gilli contou que a decisão foi tomada porque ela já havia sofrido a perda de dois filhos. E em um dos casos, não conseguiu se despedir como queria. “Eu lembro de pedir para vê-lo antes do funeral, mas o capelão que cuidava do velório não permitiu. Então por anos depois costumava pensar que acreditaria se alguém batesse à porta e dissesse que a morte dele havia sido um terrível engano. Era como se eu não acreditasse que ele estava morto”, disse. “Claro que isso não é igual para todos — isso pode deixar algumas pessoas desconfortáveis. Mas a chance de escolher precisa existir.”

Com informações da BBC