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Após comandar Cuba por 49 anos, mais tempo que qualquer outro presidente no século 20, Fidel Castro encerra a trajetória de sua vida na noite desta sexta-feira (25/11), quando morreu aos 90 anos.

Hoje em dia, seus atos revolucionários provocam reações adversas pelo mundo afora. Para uns, é o líder que tornou um país da América Latina em verdadeiro modelo de saúde e educação para o mundo. A outros, é apontado como um ditador e inimigo da democracia.

Confira a linha do tempo com os momentos mais marcantes da vida desse personagem controverso:

1940
Fidel Castro estuda no Colégio de Dolores, dirigido por jesuítas. Aos 14 anos, ele se destacava entre seus companheiros em Santiago de Cuba, sobretudo pela inteligência e aptidão oratória.

1945
Finaliza o ensino escolar. O anuário do colégio o descreve como um “aluno destacado e bom esportista”. Cinco anos mais tarde, formava-se como advogado na Universidade de Havana.

1952
Sua candidatura como deputado é frustrada pelo golpe de Estado do general Fulgencio Batista. Tendo tentado combatê-lo nos tribunais, Castro logo passou à luta armada. Depois do assalto fracassado ao quartel de Moncada, da prisão, anistia e temporada no exterior, ele retornou clandestinamente a Cuba.

1958
Em Sierra Maestra, onde começa a luta de guerrilhas, faz o primeiro ataque contra a ditadura de Fulgencio Batista. Nesse período, diz a famosa frase: “a história me absolverá”.

Reprodução

Fidel Castro chega ao poder após a Revolução cubana de 1959

1959
Vitórias dos guerrilheiros custaram a Batista o apoio militar e o forçaram a fugir. Em 1º de janeiro de 1959, a Revolução cubana celebrava vitória. No mês seguinte, Castro foi nomeado primeiro-ministro pelo novo presidente, Manuel Urrutia. Devido a diferenças com o líder revolucionário, ele renunciou em meados do ano, sendo substituído em Havana por Osvaldo Dorticós, que confiou o poder a Fidel Castro.

1960
“Não sei se Fidel é comunista, mas eu sou fidelista”, dizia Nikita Krushchev em 1960. Moscou reata relações diplomáticas com Cuba, interrompidas desde 1952, e incrementou seu apoio. A descoberta pelos EUA de bases nucleares soviéticas na ilha desencadeou a “crise dos mísseis”. A URSS só cedeu com a promessa de John Kennedy de não invadir Cuba e também de desmontar as bases americanas na Turquia.

1961
A tensão entre Cuba e os EUA aumenta à medida que as desapropriações na ilha afetam os interesses americanos. Washington responde com embargo amplo, e em 3 de janeiro de 1961 rompe relações diplomáticas com Havana. Em abril, 1.500 exilados cubanos apoiados pela CIA desembarcam na Baía dos Porcos, com o intento de derrubar Castro. Este dirige a contraofensiva, e a invasão fracassa após três dias.

1985
A ascensão de Mikhail Gorbatchov ao poder marca uma nova era em Moscou, de Glasnost e Perestroika. A “Cortina de Ferro” começou a ser perfurada, até se despedaçar; o império soviético acabou por cair. Sem sua principal base de sustento no exterior, Cuba precipitou-se em aguda crise. Milhares tentaram fugir para Miami em botes precários. Para muitos, era certo o fim do regime castrista.

1996
Um decreto do papa Pio 12 proibia a todos os católicos apoiar os regimes comunistas. Em consequência, o Vaticano havia excomungado Fidel em janeiro de 1962. Com o fim da Guerra Fria, contudo, chegou também o momento da reaproximação. Em 1996, Castro visitou João Paulo 2º, que lhe retribuiu a visita dois anos mais tarde, num gesto considerado histórico.

Reprodução/Wikipedia

Fidel Castro se mantém no poder até 2008, quando se afasta por conta de problemas de saúde.

1990
A partir da década de 90, Cuba deixou de ser vista como perigosa exportadora de revoluções. Com a estrepitosa queda do Bloco Soviético, as ideologias de esquerda naufragavam. Mas, na Venezuela, assumiu ao poder um dirigente disposto a propagar o que denominava de “Revolução Bolivariana”: Hugo Chávez, admirador declarado de Fidel, ofereceu a Havana respaldo efetivo, além de apoio econômico.

2008
A enfermidade força Fidel a abandonar o poder formal, que entregou nas mãos do irmão Raúl Castro. Tudo para evitar uma guinada radical num sistema que – apesar de todos os avanços na educação e saúde – cobrava de seus cidadãos o alto preço da repressão e perda de liberdade. Enquanto apontavam os primeiros vislumbres de mudança, Fidel Castro ia se despedindo, embora defendendo sua visão até o fim.

Com informações da agência alemã Deutsche Welle

 

 

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