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Uma jovem não identificada publicou uma carta no site do jornal britânico The Guardian endereçada ao irmão. O texto tem emocionado os internautas pelas circunstâncias: ela descobriu, recentemente, que o irmão tinha morrido há 13 anos.

Por conta de problemas familiares, os dois se afastaram ao longo dos anos. Até a morte do pai deles. No velório, se falaram. Depois, uma carta enviada com palavras de ódio por conta do testamento os afastou ainda mais. Culpando a arrogância do irmão, ela nunca mais o procurou. Até que decidiu fazer uma busca no Google, 13 anos depois. Não apenas descobriu que seu irmão havia morrido, como soube que a morte dele aconteceu, provavelmente, pouco depois do velório do pai.

Confira a íntegra da carta:

Você é meu único irmão. Eu sei que nem sempre entendi você completamente, mas sempre te olhei e pensei que você era inteligente e incrível. Bem, pelo menos eu fiz isso até o momento em que você se recusou a vir visitar o nosso pai no leito de morte. Eu simplesmente não conseguia entender por que isso era tão difícil para você. Ele estava implorando para vê-lo durante as últimas horas, mas você não veio. Eu realmente odiei você por isso. Ele parecia tão triste e confuso – assim como eu.

Mas você apareceu no funeral, que eu tinha arranjado e cuidado, como todo o resto das coisas ao longo dos anos. Você raramente aparecia quando mamãe e papai estavam vivos, mas entrou na minha casa — um lugar que você nunca visitou antes — como se fosse dono do local. Você teve a audácia, como “chefe da família”, de agradecer a todos por terem vindo. Quem você achou que era?

Eu costumava pensar que você tinha tudo o que eu queria, com sua casa grande e vida luxuosa. Mas suas raras visitas eram um lembrete de que não significávamos muito. Mamãe e papai não tiveram educação, ao contrário de nós dois, então não era difícil você fazer com que eles se sentissem insignificantes. Você nos fez sentir que seus amigos ricos eram muito mais importante do que a gente jamais foi. Então eu aprendi a aceitar que tinha pouco valor em sua vida, enquanto papai dependia de mim e me valorizava cada vez mais depois que mamãe se foi.

Mas tudo mudou quando você leu o testamento de papai. De repente, sua irmãzinha virou um grande problema, digna de uma carta irritada e ameaçadora. Você não podia aceitar não receber a parte do leão, e você rugiu de raiva. Então, quando você não respondeu a minha carta, ou entrou em contando comigo novamente, eu simplesmente assumi que você me deletou da sua vida. Estava tão acostumada com a sua arrogância e distanciamento que decidi apenas continuar com a minha vida e nunca mais entrar em contato com você. Até recentemente.

Eu estava fazendo uma pesquisa de genealogia e procurei por seu nome nos registros. Lá estava você, mas desta vez, morto. Seu certificado de óbito disse que você morreu apenas duas semanas depois da última carta irritada que me enviou e seis semanas depois do funeral de papai. Isso foi há mais de 13 anos.

Eu entrei em choque, me senti brava e ferida por esses anos de rejeição. Mas também me senti triste e culpada, porque pensei que você não queria ter um relacionamento comigo durante todos esses anos. E eu não me entristeci por sua morte — como eu poderia? Eu assumi que você continuava a me ignorar, como sempre fazia quando criança.

Se você ainda estivesse vivo, eu estaria escrevendo para você agora? Acho que não. Você raramente foi um irmão e muito menos um tio para meus filhos. Mas ao descobrir que você morreu, tudo ficou diferente. Você não é a pessoa que eu pensava conhecer. Você se dissolveu em outra coisa, algo amplo e místico, ainda acima de mim, mas espero que seja de uma forma diferente.

Isso muda tudo. Eu quero me conectar profundamente com você e, por mais estranho que pareça, não me parece muito tarde. Queria te dizer o quanto eu realmente te amei e como eu queria ser como você, especialmente quando eu tinha oito anos e você saiu de casa e me deixou sozinho com mamãe e papai. Eu senti tanto sua falta. Mas eu nunca te conheci de verdade. Me pergunto se posso te conhecer melhor agora. Talvez eu possa simpatizar com a dor que você deve ter sentido por ter nos deixado da maneira que você fez.

Agora estou olhando para você, em vez de cuidar de você, e é bom, porque posso me sentir mais perto. A morte cura as coisas e posso me sentir segura sabendo que não podemos nos machucar mais.

Espero que você tenha um bom renascimento, meu irmão, com menos sofrimento na próxima vez e, caso nos reencarnemos novamente na mesma família, talvez possamos lidar com isso de uma forma melhor.

 

 

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