Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Fim da escala 6x1 ameaça empregos e encarece produtos, diz Fiemg

Fiemg critica aprovação de proposta do fim da escala 6x1 no Senado e alerta para aumento dos custos do trabalho e riscos à competitividade

15/10/2026 08:28
FIEMG
Foto colorida do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe - Metrópoles

Belo Horizonte — A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alertou que o fim da escala de trabalho 6×1 pode ameaçar empregos formais e provocar aumento nos preços de produtos e serviços no Brasil. A manifestação ocorre após a aprovação, no Senado, da proposta que prevê a redução da jornada semanal de trabalho.

Para a entidade, a mudança pode elevar os custos do trabalho, comprometer a competitividade das empresas e afetar a manutenção dos empregos. A Fiemg também critica o que considera ser um caráter eleitoreiro da proposta, diante da proximidade das eleições.

O presidente da federação, Flávio Roscoe, afirmou que os impactos da medida não ficarão restritos ao setor produtivo e poderão atingir diretamente os consumidores.

“Sem aumento de produtividade, reduzir a jornada mantendo integralmente os salários significa aumentar o custo da hora trabalhada. Isso pressiona as empresas, reduz a competitividade e acaba chegando ao cidadão por meio de produtos e serviços mais caros”, afirmou.

Roscoe também defendeu que uma mudança dessa magnitude não seja adotada sem uma avaliação aprofundada de seus efeitos sobre a economia. “Não podemos tomar uma decisão dessa magnitude ignorando seus efeitos sobre emprego, renda e crescimento do país”, acrescentou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Na semana passada, antes da votação, a Fiemg entregou aos senadores um documento técnico com os principais impactos negativos que, segundo a entidade, podem decorrer da aprovação da proposta.

O material aponta riscos para a manutenção dos empregos formais, para a segurança jurídica e para setores que dependem intensamente de mão de obra.

A federação argumenta que a redução obrigatória da jornada, sem diminuição proporcional dos salários ou aumento de produtividade, elevaria o custo da hora trabalhada e prejudicaria a competitividade das empresas.

Outro ponto levantado pela entidade é que a adoção de um modelo único de jornada desconsideraria as particularidades de diferentes setores da economia, como indústria, comércio, serviços e saúde.

A Fiemg também defende que acordos e convenções coletivas continuem sendo os principais instrumentos para definir jornadas e escalas de trabalho, permitindo adaptações às necessidades de cada atividade.

Diante da aprovação da proposta no Senado, a federação pediu que as próximas etapas de tramitação no Congresso considerem os impactos econômicos e sociais da medida.

A entidade afirmou que continuará defendendo a negociação coletiva, a segurança jurídica, a competitividade das empresas e a preservação dos empregos formais.