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Dos food trucks que passaram a circular por Brasília nos últimos três anos, o Geléia Burguer aparece como um dos mais populares. Tanto que já ganhou uma loja em Águas Claras e até maio terá mais dois pontos fixos. Serão contâineres em postos de gasolina (endereços ainda não confirmados).

No entanto, o que pouca gente sabe é que bem antes da onda de food trucks chegar ao Plano Piloto, Alexandre de Souza Santos já tinha conquistado clientelas no Gama, Santa Maria, Samambaia e Valparaíso.

Alexandre é o Geléia que dá nome ao truck. O empresário de 43 anos prefere que o chamem sempre pelo apelido, ganhado quando ainda era taxista. Em 2004, ele largou o volante para abrir um cachorro-quente em sua cidade natal, o Gama, batizado Dog do Geléia.


“Comendo pelas beiradas”
Ao longo de 11 anos, o Dog se espalhou por outras quatro cidades. Enquanto não realizava o sonho de chegar ao Plano Piloto, Geléia ia “comendo pelas beiradas”, como diz André Hallanne, sobrinho e coordenador de atendimento da rede de hamburguerias.

“Se um sanduíche está mal montado, ele manda voltar. Depois de mim, é quem sabe de tudo”, afirma Geléia. Aliás, o ex-taxista não nega o crédito a suas parcerias. Uma delas, essencial, foi a que fez com o amigo Jerry Omar Correia, assassinado em agosto do ano passado.

Dono de pizzaria, também no Gama, Jerry resolveu investir em food truck em 2015 e convenceu o amigo a ir junto. Mais que isso, deixou com ele 18 receitas de hambúrgueres testadas. Uma herança que Geléia ainda nem explorou totalmente — serve nove na loja de Águas Claras; quatro nos trucks.


Paladar aguçado
“Não sei cozinhar, mas tenho paladar”, afirma. E é com o paladar que ele controla a qualidade do que serve aos clientes. “Depois de ter oito lojas, e fechar três ou quatro, aprendi que tinha que ter um padrão e não cada uma funcionando de um jeito”, ele conta.

Montou então uma central de produção, onde pode ser encontrado diariamente. Ali são preparados a carne, os pães, as maioneses (normal e de alho) e a cebola que chega caramelizada ao sanduíche. “Tudo fresco, feito dia a dia. Isso era uma coisa em que o Jerry insistia”, ressalta o empresário.

Ele reclama para si o pioneirismo do hambúrguer com pão preto e cebola caramelizada. Diz que depois todo mundo começou a fazer. “Mas igual ao nosso não tem”, propagandeia, com o orgulho de quem serve 60 mil hambúrgueres por mês.

As contas quem faz é Kátia Pires, 34 anos, a esposa, uma ex-enfermeira que tirou o uniforme branco para ajudar o marido quando ele se tornou empreendedor do ramo de comida. “Boleto, nota fiscal, isso é com ela. Kátia é o coração de tudo. Sem ela eu ainda estava num carrinho de cachorro-quente”.



 

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