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Vendida somente on-line, com uma tiragem limitada de 7 mil garrafas, cada uma ao preço de R$ 215, a cachaça Authoral é uma amostra do quanto a bebida derivada da cana de açúcar ganhou em sofisticação nos últimos anos. Antes mesmo de ser lançada, foi avaliada com nota máxima pelo laboratório do Doutorado em cachaça da Uiniversidade de São Paulo (SP) e ficou em primeiro lugar em um concurso de blends do Instituto Cana Brasil.

O produto premium, porém, não saiu do interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou outro Estado brasileiro famoso pela produção nesse setor. Em sua casa no ParkWay, Eduardo Moreth realizou todas as etapas de elaboração do produto, desde o plantio da cana que serviu de matéria-prima. E tudo com o auxílio de um único empregado.

“O cerrado não tem nenhuma restrição para o plantio de cana de açúcar. Além disso, nenhum outro lugar tem clima tão propício para envelhecer uma cachaça quanto o Distrito Federal: altitude acima de mil metros, clima seco e temperaturas variáveis”, revela o advogado e empresário, que não chegou  a essa conclusão por acaso.

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Garrafa importada da França: sofisticação

Exportação pouca e ruim
Moreth começou a se interessar pelo assunto em 2008, quando fazia um MBA em administração e resolveu estudar os processos de lambicagem e exportação de cachaça artesanal brasileira. Percebeu que embora exista no exterior mercados abertos ao consumo de nossa bebida, somente cerca de 1% do que é produzido aqui é exportado.

“O que exportamos é pouco e ruim. Apesar de nos últimos 10 anos ter melhorado significativamente a qualidade da bebida. Ao contrário do que ocorreu com a Havaianas, que ganhou em conceito, a cachaça ainda é vista como um produto barato”, observa. Além disso, constatou, as  técnicas empregadas hoje na elaboração são as mesmas usadas há 500 anos.

Começou aí um projeto pessoal de Eduardo Moreth que resultou na criação de um inédito processo no qual se unem técnicas de produção de vinhos, cervejas, azeites e destilados em um único produto. “Além disso, ele é todo sustentável. Utiliza energia solar, o bagaço é doado para o gado  e o subproduto é usado para irrigação”, afirma.

Alambique na sala de estar
É o que ele chama de home distilling. “O alambique fica na minha sala de estar”, ele diz. Sala que no próximo ano passará a sediar jantares para harmonização da Authoral com pratos preparados pelo próprio Moreth. Encorpada, de sabor adocicado e baixa acidez, a primeira cachaça made in Brasília vai bem com queijos mais fortes, carne de caça, carnes vermelhas e sobremesas.

E aí está outro assunto de que Eduardo Moreth entende. Apaixonado por gastronomia desde cedo, só não se tornou chef por causa do machismo do pai, um mineiro conservador que achava que cozinha não era coisa para homem. Mas enquanto frequentava as faculdades de direito e economia, Moreth aproveitava as férias para trabalhar voluntariamente em restaurantes, sem ganhar um tostão.

Passou pelo La Vecchia Cuccina, com Sérgio Arno, pelo Mouraria, Quintal e Le Bâteau Ivre, em Brasília, pelo Piquiras, em Goiânia, e pelo Barracuda, em Búzios. Sem nunca largar mão das ciências exatas, partiu para um curso na escola Le Cordon Bleu, em Paris. Lá, teve uma primeira prova do fascínio que a cachaça exerce nos europeus. Levou garrafas de algumas marcas para dar de presente aos colegas e professores . “Todos adoraram”, lembra.

Por isso, foi pensando principalmente nesse público externo que o empresário lapidou seu produto. O precioso líquido vem embalado em garrafa importada da França, as rolhas foram trazidas do Rio Grande do Sul….A tiragem atual é da safra 2013, mas ideia é produzir anualmente a mesma quantia de 7 mil garrafas.



 

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