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A lenda Usain Bolt teve um final de carreira humano, como qualquer mortal no planeta Terra. Neste sábado (12/8), na final do revezamento 4x100m do Mundial de Atletismo, no Estádio Olímpico de Londres, o velocista jamaicano recebeu, na terceira colocação, o bastão para realizar os últimos 100 metros e, logo no início de sua corrida, sentiu uma lesão muscular e não conseguiu nem cruzar a linha de chegada. Se contorceu em dores e viu os adversários o ultrapassarem. Deixou a pista consolado pelos seus companheiros.

A surpreendente final teve um resultado inesperado. A Grã-Bretanha cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, com o tempo de 37s47, e bateu um dos favoritos, os Estados Unidos – prata com 37s52. Assim como nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, o Japão ficou com a medalha de bronze com a marca de 38s04.

Neste sábado (12), perto de completar 31 anos, o astro jamaicano saiu de cena após a disputa do revezamento 4×100 metros. Pouco importava a cor da medalha, ou mesmo se ela viria – o que as pessoas queriam ver era a última vez em que o maior atleta de todos os tempos pisava em uma pista de forma competitiva.

Omar McLeod, Julian Forte e Yohan Blake tiveram a honra de competir ao lado de Usain Bolt em sua despedida, no Estádio Olímpico de Londres, palco de suas grandes conquistas na Olimpíada de 2012. Durante a apresentação dos atletas, os jamaicanos brincaram com o público e fizeram uma rápida coreografia. No aquecimento, Bolt acenava para todos.

A despedida das pistas deixou o herói emocionado. Logo após a disputa das eliminatórias para a final, ainda pela manhã, Usain Bolt disse que não conseguia externar os seus sentimentos. “Não há palavras para descrever como estou me sentindo. Recebo muito apoio do público e agradeço muito por isso”, disse.

É verdade que esse término não será do jeito que se imaginava, já que o jamaicano ficou com a medalha de bronze na disputa dos 100 metros no sábado passado, perdendo para os norte-americanos Justin Gatlin (ouro) e Christian Coleman (prata). Mesmo assim, Usain Bolt é o homem mais rápido da história. O jamaicano bateu três vezes o recorde mundial dos 100 metros e é também o recordista dos 200 metros. As duas melhores marcas foram conquistadas no Mundial de Atletismo de Berlim-2009 – o tempo nos 100 metros é de  9s58 e nos 200 metros de 19s19. Ambos ainda deverão durar por vários anos.

A recordação de seus êxitos é inesgotável. Nos 100 metros ele tem três títulos mundiais (Berlim-2009, Moscou-2013 e Pequim-2015) e três ouros em Jogos Olímpicos (Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). Tem ainda quatro títulos mundiais nos 200 metros (Berlim-2009, Daegu-2011, Moscou 2013 e Pequim-2015), além de uma prata (Osaka-2007). A prova dos 200 metros, por sinal, é a sua favorita, mas ele decidiu não participar desta vez para guardar energia para os 100 metros e para o revezamento 4x100m – o revezamento, inclusive, traz a única lembrança amarga para Usain Bolt em Olimpíadas. Nos Jogos de Pequim-2008, o time da Jamaica perdeu a medalha de ouro após Nesta Carter resultar positivo para doping.

Fenômeno raro no esporte, Usain Bolt sai de cena para se juntar a lendas como Muhammad Ali, Ayrton Senna, Pelé, Maradona, Michael Jordan, Roger Federer, entre outros. A partir de agora, o jamaicano deverá seguir para a Alemanha, onde quer fazer testes no Borussia Dortmund – tem o sonho de se tornar jogador de futebol profissional. É melhor ninguém duvidar de um dos maiores atletas de todos os tempos.

 

 

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