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Pódio duplo não é novidade para Andre Brasil e Phelipe Rodrigues, que nos últimos anos anos vêm dividindo o protagonismo na classe S10 da natação paralímpica no país e em muitas competições internacionais. Conquistar as primeiras posições juntos em Jogos Paralímpicos no Brasil que é a situação inédita. E bastante especial para os dois. Nessa terça-feira (13/9), no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos, Andre garantiu a prata nos 100m livre com 51s37, e o bronze foi para Phelipe Rodrigues (51s48). A prova foi vencida pelo ucraniano Makym Krypak, nadando para 51s08.

“Nós dividimos pódio desde 2008 em todas as competições internacionais e nacionais. Estar aqui no Brasil, dividindo com outro brasileiro é uma coisa surreal, não tem como explicar mesmo”, disse Phelipe.

Esta foi a quinta medalha paralímpica de Phelipe, que conquistou a prata nos 50m livre na atual edição. Andre garantiu a 12ª, sendo a segunda no Rio 2016, já que ficou com o bronze nos 100m borboleta no dia anterior. Nas primeiras provas que disputou – 50m livre e 100m costas -, ele amargou dois angustiantes quartos lugares. Para Andre, o pódio duplo já deveria ter ocorrido.

Faltou esse momento para o Brasil nos 50m livre, independentemente da cor da medalha. Culpa minha de não ter me apresentado, eu estava irreconhecível naquele dia e não fizemos a dobradinha. Subir juntos ao pódio é mais que uma dobradinha que a gente faz. Já é o meu companheiro de longa data. Daqui a alguns anos eu quero passar o bastão para ele e ele vai dar continuidade a tudo isso"
André Brasil

Alto nível
Os atletas também destacaram o alto nível da prova e a evolução do esporte paralímpico. “O esporte é muito trabalho, dedicação. Hoje tem quatro caras na casa dos 51s. Há oito anos, eu ganhei a prova com 51s6 e hoje fiquei em segundo com 51s3. Você pode ver toda a evolução que o esporte teve. Fico feliz em fazer parte dessa transformação e dessa festa. Nunca mais vamos ver um público como esse. Que a gente possa aproveitar esse momento”, disse Andre.

A forte cobrança pessoal é algo que o brasileiro não perdeu ao longo dos anos. “Hoje vou me cobrar um pouco. Nós estávamos na frente. Eu não sei o que aconteceu, não consegui encaixar uma braçada mais alongada e esticada como geralmente faço. Achei que iria chegar na casa dos 50s. Era a minha meta”.

Phelipe gostou tanto da sensação de disputar uma competição desse porte em casa que abriu mão de um ritual que costuma seguir. O rock pesado que escuta antes de cair na piscina deu lugar ao carinho do público. “Eu costumava entrar de fone, para me concentrar bem, e estou fazendo questão de entrar sem, para sentir a torcida como se fosse uma força. Na primeira vez que fui nadar, os 50m livre, eu estava supernervoso. Quando entrei e ouvi falando o meu nome, fiquei arrepiado”, contou o atleta.

A espera de Talisson pelo bronze
Talisson Glock foi o primeiro brasileiro a pular na piscina na noite de terça. O catarinense de 21 anos terminou os 400m livre S6 em quarto lugar, com 5m17s24. A prova foi vencida pelo italiano Francesco Bocciardo, em 5m02s15. O holandês Thijs van Hofweegen fez o segundo melhor tempo, 5m07s82, e o cubano Lorenzo Escalona ficou em terceiro, 5m14s44.

“Os 400m e os 100m livre são provas que nado porque gosto, não tenho expectativa. O 400m é uma prova que venho tirando dos meus treinos. Fico meio chateado com o tempo, porque tenho 5min13s, que se eu tivesse feito, teria sido o bronze. Mas tudo é experiência”, disse.

Ele comentou a espera da confirmação do bronze nos 200m medley. Na segunda (12/9), Talisson havia ficado em quarto na prova, mas o colombiano Nelson Crispin foi desclassificado e o brasileiro herdou o terceiro lugar. A Colômbia, entretanto, entrou com recurso, e o resultado do julgamento – que manteve a desqualificação – só foi conhecido pelo brasileiro na manhã de terça.

“Saiu de madrugada, fiquei sabendo hoje de manhã. Fico contente, foi minha segunda melhor marca. Foi um ano de trabalho e o resultado mostrou que a gente não tem que nadar pensando na medalha, ela é uma consequência. A desclassificação mostra isso. Todo mundo podia errar”, afirmou.

Mais três brasileiros nadaram no Estádio Aquático nesta noite. Nos 200m medley SM7, a brasileira Verônica Almeida foi desclassificada. Mariana Gesteira disputou os 100m livre S10: a carioca de 21 anos terminou em sétimo, com 1m02s75. Nos 50m livre masculino S9, Ruiter Silva terminou na sétima colocação, com 26s62

Domínio chinês
China e recorde mundial foram sinônimos em vários momentos. Bozun Yang fez a melhor marca nos 100m peito SB11 com 1m10s08, superando o tempo que ele havia feito em Londres 2012 (1m10s11). Na mesma prova para mulheres, o recorde mundial foi quebrado por Xiaotong Zhang: 1m23s02. Pouco depois, Cong Zhou nadou para 1m02s90 e estabeleceu a nova marca do mundo para os 100m peito S8. Nos 50m livre S3, Wenpan Huang diminuiu os 40s51 que havia feito nesta manhã para 39s24.

A ucraniana Yelyzaveta Mereshko bateu o recorde paralímpico dos 400m S6 ao vencer a prova na noite desta terça com a marca de 5m17s01. Nos 100m livre S10, foi a vez da canadense Aurelie Rivard estabelecer o novo recorde da competição, com 59s31. Outro atleta que bateu recorde paralímpico foi Uladzimir Izotau, de Belarus, nos 110m peito SB12.

A marca anterior era dele, de Londres (1m07s28), e agora passou a ser 1m06s82. A noite de recordes seguiu com a britânica Stephanie Millward e a melhor marca da competição nos 100m peito S8 (1m13s02) e com a norte-americana Michelle Konkoly nos 50m livre S9 (28s29).

 

 

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