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A noite de domingo (11/9) foi especial para dois velocistas brasileiros. Um, com 30 anos, já é experiente. A outra, aos 35, “uma veterana estreante”. Eles garantiram para o país uma prata e um bronze no Estádio Olímpico, o Engenhão. Na terceira Paralimpíada, Felipe Gomes cruzou a linha de chegada em segundo lugar nos 100m rasos T11 (deficientes visuais). Em sua primeira edição dos Jogos, Teresinha de Jesus não acreditou quando olhou para o telão após a prova. Sentiu as pernas tremerem ao ver o seu nome na terceira colocação nos 100m rasos T47 (amputados).

“Eu entrei na modalidade aos 32 anos. A minha trajetória é repleta de garra e dedicação. Cheguei no regional, passei pelo Brasileiro, Mundial, Parapan e hoje, depois de todos os resultados, estou aqui com 35 anos na minha primeira Paralimpíada, correndo contra meninas bem mais novas. É Isso que me mantém forte para continuar o trabalho. Não tenho dúvidas de que o esporte me escolheu”, disse Teresinha.

Ela tinha oito anos quando um acidente mudou a sua vida. Teresinha brincava com as primas no interior do Maranhão, pulou uma cerca, o pé escorregou e ela caiu no chão com o braço para trás. O resultado foi uma fratura exposta. Três dias depois de um procedimento médico errado, teve que amputar o braço esquerdo.

Foi apresentada ao esporte adaptado em 2011, em Londrina, no Paraná. Antes, tinha sido babá, trabalhou em restaurante, papelaria, entregou marmita e foi vendedora. Hoje, vive exclusivamente para o esporte. “Eu recebo a Bolsa Pódio do Ministério do Esporte. É o que me garante dedicar todos os dias e treinar de segunda a sábado. Isso é muito importante para nós, atletas”, afirmou.

A prova dos 100m rasos T47 feminino foi vencida pela norte-americana Deja Young, com 12s15. O segundo lugar ficou com a polonesa Alicja Fiodorow, com 12s46. Teresinha fechou a prova em 12s84. Sheila Finder era a outra brasileira na prova. Ela terminou na sexta colocação (13s27).

Evolução
Felipe Gomes entrou na pista do Engenhão com um objetivo: melhorar a marca da última Paralímpíada, quando terminou em terceiro lugar nos 100m T11. Depois de 11s08, o brasileiro cruzou a linha de chegada em segundo e alcançou a meta traçada. A prova foi vencida pelo americano David Brown, com o tempo de 10s99 (novo recorde paralímpico). Ananias Shikongo, da Namíbia, completou o pódio com 11s11.

Os 100m são muito rápidos. Tem que estar atento a todos os comandos do guia e buscar a linha de chegada o mais rápido possível. Foi isso que eu tentei fazer. Estou feliz. É a minha terceira oportunidade de competir em Paralimpíadas e já na primeira prova aqui no Rio conquistei uma prata. Começamos bem."
Felipe Gomes

A prata deste domingo é o terceiro pódio do atleta em Jogos Paralímpicos. Na última edição, em Londres, ele voltou também com o ouro nos 200m T11. Felipe vai entrar na pista mais três vezes. O atleta vai encarar as provas de revezamento 4x100m (T11-T13) , 200m e 400m.

Empurrão
Nos 1.500m T13 (deficientes visuais), o brasileiro Júlio César Agripino dos Santos, que estreou em Jogos Paralímpicos, liderava a prova até que um dos adversários o empurrou. O atleta de Itapecerica da Serra, interior paulista, saiu da pista e perdeu segundos preciosos. Ele cruzou a linha de chegada em 12º (4m00s61).

“A mão de um atleta foi nas minhas costas e acabei perdendo o equilíbrio. Mas estou muito feliz, é minha primeira Paralimpíada, dentro do meu país, com essa torcida maravilhosa. Quando entrei, senti a torcida me empurrando, empurrando o meu parceiro, com uma energia positiva. Com a queda, eles começaram a gritar para me levantar, não tem nada que pague isso”, conta. Yeltsin Jacques, outro brasileiro na prova, terminou em 11º (3m58s92).

O vencedor da prova foi o argelino Abdellatif Baka, com 3m48s29. Se não bastasse ser o recorde mundial da prova, a marca ainda lhe daria o ouro se ele estivesse na disputa olímpica do Rio 2016 nos 1.500m. O vencedor naquela ocasião foi o norte-americano Matthew Centrowitz, com 3m50s00.

Fonteles fora dos 200m
Atual campeão paralímpico dos 200m T44 (amputados), prova que lhe deu projeção mundial, AlanFonteles correu a classificatória do Rio 2016 neste domingo, sentiu a coxa direita, fez o tempo de 22s63 e não avançou. “Estou sentindo muita dor, muita. Senti no aquecimento. Achei que fosse uma dor normal, e ali na entrada da reta eu senti muito a perna. Nunca me lesionei, nunca senti uma dor parecida, então espero que não seja grave e espero ajudar amanhã a equipe no revezamento”, disse, em referência ao 4x100m (T42-T47).

“Dois meses atrás, eu corri 21s86, a marca que fiz na semifinal de Londres 2012. Se você analisar, estou evoluindo. Agora, seria uma evolução bem maior, mas por conta dessa dor não consegui fazer melhor, tanto que fiz uma das piores marcas da minha vida. E fui prata nessa prova no Mundial de Doha (2015), com o tempo que eu fiz lá eu entrava facilmente”, completou.

 

 

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