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A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) cobrou neste domingo que os governantes russos admitam a realização de um esquema sistemático de doping no país nos últimos anos. Além disso, a entidade pediu que as autoridades nacionais parem de obstruir a realização de novos testes em atletas locais e colabore com a investigação.

As críticas da Wada foram realizadas durante reunião de seu Conselho de Fundação, em Glasgow, na Escócia. A entidade aproveitou a ocasião para informar que o relatório final da investigação do canadense Richard McLaren será divulgado no próximo dia 9 de dezembro.

Foi justamente McLaren o responsável por denunciar o esquema de doping na Rússia. Em uma investigação requisitada pela Wada, o canadense apontou evidências de um esquema sem proporções no país europeu, inclusive com participação do governo, que atinge as mais diversas modalidades e idades.

Por mais que as evidências deste esquema sejam claras, os russos seguem negando qualquer participação do governo nos casos de doping do país. “A Rússia nunca teve um sistema de doping patrocinado pelo Estado”, declarou Vitaly Smirnov, ex-ministro do Esporte soviético e atual chefe da comissão antidoping da Rússia.

Mas a Wada insiste nas evidências apontadas por McLaren. Por causa delas, a entidade chegou a sugerir que a Rússia fosse impedida de participar dos Jogos Olímpicos do Rio. O Comitê Olímpico Internacional (COI), no entanto, deixou a decisão de suspender os atletas russos para as federações de cada esporte.

“É necessário que haja uma aceitação das descobertas apontadas pela investigação de McLaren, porque elas são factuais”, declarou o vice-diretor geral da Wada, Rob Köhler. “Eles (russos) conseguem seguir em frente? Nós dissemos desde o início que a mudança cultural é uma das principais coisas que precisam acontecer. Parte da mudança cultural é a aceitação de alguns dos fatos.”

Apesar das acusações, Smirnov manteve-se na defensiva e criticou a Wada pela sugestão de impedir a participação russa nos Jogos do Rio. “Se uma certa pessoa é criminosa, não significa que o país inteiro é”. Quando perguntado se o ex-ministro do Esporte e atual vice-primeiro-ministro russo, Vitaly Mutko, é criminoso, o dirigente esbravejou: “Não me provoque”.

Mutko, aliás, foi assunto recorrente na reunião deste domingo. E o vice-primeiro-ministro foi bastante criticado por seu posicionamento em relação à investigação de McLaren, que chamou de “falsificada”, e por suas ameaças de processar as pessoas que colaboraram com o trabalho do canadense.

Por fim, a Wada acusou os russos de seguirem dificultando as investigações. Depois de classificarem o país como “não colaborador” no ano passado, quando a seleção de atletismo da Rússia foi suspensa pelo esquema doping, a entidade, através de Köhler, garantiu que “estes problemas estão ocorrendo novamente”

 

 

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