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O ambiente sombrio e urbano da parceria Netflix-Marvel funciona. É perceptível no clima depressivo de “Demolidor”, no drama psicológico de “Jessica Jones” e no casamento perfeito entre o subúrbio, o hip-hop e universo negro de Luke Cage. Tudo ia bem até “Punho de Ferro”.

Não é que o seriado seja ruim. É regular. O ambiente urbano e “realista” que tanto ajudou nos outros, em “Punho de Ferro”, atrapalha e limita a trama. O herói da Marvel veio de um mundo místico, uma outra dimensão, uma terra chamada K’un-Lun.

No entanto, essa vibe “podescrê” é jogada em uma Nova York dominada pelo mundo dos negócios. Não à toa, Danny Rand, durante os primeiros episódios, repete (enfadonhamente): “Não é sobre o dinheiro”. Então, é sobre o quê? O mundo místico só não some do seriado porque, vez ou outra, tem uma meditação, um tai chi chuan ou papo com um monge que ninguém vê.

O misticismo poderia ser o alivio para a quarta história sobre uma Nova York bruta, violenta e noturna. Entretanto, ele é ignorado e tratado como algo menor do personagem. Essa escolha deixa a série muito comum e até meio fora do universo que vinha sendo desenvolvido. Mesmo assim, não dá para dizer que “Punho de Ferro” erra em tudo. Não é um desaste, apesar de ser a mais fraca produção da recente sequência.

Tem potencial, mas é lento
“Punho de Ferro” tem potencial, a história de Danny Rand atrai. Ele é o guardião de K’un-Lun (um lugar que todos gostaríamos de conhecer melhor, mas “hoje não, Faro”), o único capaz de derrotar o Tentáculo. Dono de um poder impressionante.

Tudo isso fica perdido num duelo infantil de reconhecimento por amigos perdidos há 15 anos. As discussões centradas em “vocês deveriam me amar” tomam muito tempo e deixam os episódios lentos e cansativos"
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O herói voltará em “Os Defensores”, ao lado de Jessica Jones, Luke Cage e Demolidor. Quem sabe na nova produção a Netflix-Marvel volte ao desempenho, até então, impecável.

 

 

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