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Gabriel Calderón é o dramaturgo mais conhecido do teatro uruguaio na atualidade, não só nos limites de seu país. É membro do Lincoln Center Theater Directors Lab e artista residente do Théâtre des Quartiers d’Ivry, em Paris, França — onde já ganhou ciclo dedicado a sua trajetória, intitulada “Radical Calderón”.

Seus textos já foram montados na Argentina, Chile, Colômbia, México, Espanha, França e no Brasil — a La Vaca Companhia de Artes Cênicas (SC) já encenou “UZ — A Cidade” e “Mi Muñequita” (assim, com o título original).

No ano passado, Calderón esteve em São Paulo como convidado do 7º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Este ano, foi lançada aqui a tradução do livro “UZ/OR/EX”, com os textos da trilogia formada por  “UZ — A Cidade”, “OR — Talvez a Vida Seja Ridícula” e “EX-Que se Arrebentem os Atores” e mais “Minha Bonequinha”.

Nesta quinta-feira (1º/9) e sexta-feira (2/9), o público brasiliense tem chance de conferir o trabalho do encenador uruguaio, que com a sua companhia, Complot, apresenta no Teatro da Caixa Cultural “EX-Que se Revienten Los Actores” — as sessões serão em espanhol, com legendas em português.

Calderón nos oferece um teatro político que extrapola o convencional. Utiliza metáforas profundas para falar da sociedade atual. Em toda América Latina, esse é um movimento político e social aberto para o novo. Somos iguais neste processo de endividamento internacional, exploração, injustiça social, enfim, elementos que nos unem como povos. O que nos afasta é o idioma"
Renato Turnes, diretor da La Vaca Companhia

Passado e presente
Numa véspera de ano-novo, Ana quer reunir sua família para conversar, procurar entender acontecimentos do passado, por que se distanciaram e tentar resolver diferenças. No entanto, quase todos os seus familiares estão mortos. Restam a avó paterna, Julia, e o noivo de Ana, Tadeo, um jovem cientista.

Assumindo um tom de fantástico, o texto faz com que esses personagens vão e venham no tempo. Isso permite ao ator tratar de aspectos da história recente do Uruguai e, ao mesmo tempo, se deter deter na situação presente. Para Calderón, expor uma atmosfera de confusão e caos que existe sobre a ditadura em seu país torna-se tão importante quanto recordar e denunciar seus crimes.

A Complot foi criada em 2005 por Gabriel Calderón em parceia com o bailarino e coreógrafo Martin Inthamoussú. Nesse período, o coletivo de artistas já produziu mais de 25 espetáculos de teatro e dança.

Cena Contemporânea — “EX-Que se Revienten Los Actores”
Dias 1º/9 (quinta) e 2/9 (sexta), às 19h. No Teatro da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 12 anos. Espetáculo falado em espanhol, com legendas em português.

 

 

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