*
 

O espetáculo de dança “As Santas Quebradas” estreia no Sesi de Taguatinga contando, através da dança, histórias de violência contra a mulher. O diretor e coreógrafo Wesley Messias faz montagem original e inédita da Tribo Companhia de Dança com base na obra literária de mesmo nome, da autora Fernanda Ribeiro.

Com 19 dançarinos em cena, com idades entre 18 e 30 anos, a companhia de dança faz uso de técnicas urbanas e contemporâneas dramatizando a luta contra a violência. Em “As Santas Quebradas”, a história das sufragistas é retratada com dançarinas negras imbuídas da força do hip-hop.

Violência contra a mulher pela voz das vítimas
A obra literária que serviu de inspiração para o espetáculo é de Fernanda Ribeiro Queiroz de Oliveira. O objetivo, ao escrever o livro, era disponibilizar um espaço livre de julgamentos e de perigos para que as mulheres pudessem expor suas histórias no papel de protagonistas.

Quando comecei a ser procurada para as entrevistas, percebi o quanto era desinformada. Jovens, ricas, engenheiras, faxineiras, professoras. A violência não excluía ninguém."
Fernanda Ribeiro

Para escrever “As Santas Quebradas – Violência Contra a Mulher Pela Voz das Vítimas”, Fernanda ouviu mais de 40 mulheres. Nem todas puderam ser registradas porque as próprias pediram para não constarem nos números da pesquisa, com medo de serem descobertas. Ao final das entrevistas, a autora selecionou quatro mulheres cujas histórias traziam repetições de padrões de comportamento.

Fernanda afirma que esteve em corredores de fóruns onde presenciou, em várias ocasiões, homens rindo e fazendo apostas para ver quem acertava o número de cestas básicas que teriam que pagar por terem batido, mutilado, estuprado suas esposas.

“Todas passaram pela necessidade de atender às expectativas familiares e da sociedade, de serem boas mães, de perdoarem os ‘excessos’ dos maridos, de serem honestas, fiéis e devotadas ao casamento, de viverem o sonho do príncipe encantado a qualquer preço. Independente de religião, escolaridade e cultura. E as famílias se sentiam muito menos agredidas por elas serem mulheres violentadas que mulheres divorciadas”.

“As Santas Quebradas”
De segunda (5/9) a quarta (7/9), na Sala Yara Amaral do Centro Cultural Sesi de Taguatinga (QNF 24, área especial, Taguatinga Norte, 3362-6000). Segunda (5/9) às 20h, terça (6/9) às 18h e às 20h e quarta (7/9) às 18h e 20h. Ingressos a R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 12 anos.

 

 

COMENTE

Violênciahip-hopdanças urbanasSesi TaguatingaAs santas quebradas
comunicar erro à redação