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A sul-africana Ntando Cele não tem medo de polêmicas. Em “Black Off”, espetáculo de abertura do Cena Contemporânea, ela traz à tona a alta ironia para combater o racismo que insiste em se fazer presente nos dias de hoje.

Dividida em dois momentos independentes, “Black Off” mostra, por meio do pensamento racista, uma construção histórica limitada, incapaz de considerar o outro como parte da experiência comum à sociedade. No primeiro momento, a atriz vive a personagem Bianca White, que reproduz sucessivos clichês ligados ao preconceito racial.

 

Com o rosto pintado de branco – crítica ao black face, técnica utilizada no teatro para criar personagens negros de forma pejorativa – e peruca loira, Bianca desfia uma série de pensamentos preconceituosos: “Negros não entendem a arte complicada”, argumenta.

Pense em todas as coisas brancas que há em você, seus ossos, seus dentes. Sente-se melhor?"
Bianca White

Já no segundo momento, a peça perde um pouco do ritmo, mas por conta de um bom motivo. Sem maquiagem e peruca, Ntando caminha calmamente fazendo diversas caretas e depois se senta diante de uma câmera que exibe seu rosto no fundo do palco. Tudo para realçar as formas do seu rosto negro.

 

Se na primeira metade da peça a atriz se vale do combate para denunciar o racismo, na segunda ela mostra o quão é essencial ter orgulho de si. Não à toa, Ntando encerra a apresentação com uma série de músicas autorais que afirmam a independência do negro diante do branco. Uma demonstração de arte e ativismo.

Reprises de “Black Off”
Quinta (24/8), às 21h, na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul). Ingressos entre R$ 20 e R$ 10, à venda na bilheteria do teatro. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa 16 anos.
Sexta (25/8), às 20h, no Teatro Sesc Newton Rossi (Ceilândia, QNN 27). Entrada gratuita. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos.
Sábado (26/8), às 20h, no Teatro Sesc Paulo Gracindo (Gama, QI 1). Entrada gratuita. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos.

 

 

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