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Antes mesmo de a 15ª edição do Cena Contemporânea começar, no último dia 18, o diretor de produção Alaôr Rosa já estava com a cabeça em outro projeto: a edição do próximo ano. “É comum acharem que precisa-se de pouco tempo para produzir um evento de duas semanas. Mas, na realidade, alguns arranjos podem demorar cerca de dois ou três anos para serem concluídos. Tem muita logística envolvida”, ele conta.

Este ano, Alaôr ocupa a função exercida por Guilherme Reis desde 1995, quando começou a história do festival. Não é, porém, nenhum novato nos bastidores do Cena. Em 1996, integrou a equipe como ajudante de produção. Ano a ano, foi ganhando um papel cada vez mais ativo na realização.

“Nisso, aprendi que, se ninguém lembra do diretor de produção, é porque deu tudo certo. Por isso gosto de atuar sempre nos bastidores”

Idealizador do Cena Contemporânea, Guilherme Reis teve que deixar o cargo de diretor de produção depois que assumiu a Secretaria de Cultura. Abriu mão também de participar de qualquer decisão em relação ao evento. “Ele preferiu se afastar completamente para que não haja suspeitas de que o Cena esteja recebendo algum apoio ilícito do governo”, afirma Alaôr.

Experiências paralelas
A experiência de Guilherme faz falta, claro. “Algumas situações que ele já havia superado nós ainda temos que nos esforçar para vencer”. Mas, de tanto acompanhar o trabalho do antigo diretor de produção, Alaôr Rosa acabou se familiarizando com os caminhos a serem percorridos para desmanchar alguns nós. Para isso, conta também sua experiência na organização de outros eventos do gênero.

O ator Alaôr Rosa, em "O Silêncio", um de seus trabalhos mais recentes

O ator Alaôr Rosa, em “O Silêncio”, no ano passado

Ator com longo currículo nos palcos da cidade – uma das suas montagens mais recentes foi “O Silêncio”, dirigido por Rogero Torquato –, ele já foi coordenador das atividades do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro nas diversas regiões administrativas. No ano passado, ao lado de Rogero, criou o Hilaridade Fatal – Festival de Brasília do Bom Humor Brasileiro.

Do mesmo jeito que Alaôr Rosa foi o braço direito de Guilherme Reis em edições anteriores, ele conta agora com dois parceiros imprescindíveis. Francis Wilker o ajudou na curadoria, Michele Milani assumiu a direção geral. “Este ano sofremos um grande baque: perdemos o apoio do Centro Cultural Banco do Brasil e vimos muitos espaços de cultura da cidade fecharem as portas. Por isso, tivemos que batalhar ainda mais para conseguir parcerias e buscar alternativas para baratear o evento sem perder em qualidade”, afirma.

Apesar de tudo, até aqui, a três dias para o encerramento do festival, deu tudo certo.

 

 

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