*
 

Após três meses de o Ministério de Relações Exteriores (MRE) tratar a restauração do mural “O Sonho de Dom Bosco” com caráter de “urgência” e afirmar que as reformas devem “começar o quanto antes”, tudo parece ter voltado à estaca zero. O restaurador Thomas Brixa, indicado para atuar na obra pelo Instituto Volpi, recebeu um e-mail da funcionária do MRE Sônia Regina Guimarães Gomes comunicando que o órgão está impossibilitado de “dar continuidade à contratação dos serviços de restauração no momento” por conta do “contingenciamento imposto a todos os ministérios”.

Ao Metrópoles, o MRE informou que a demora na restauração se dá porque esperavam a manifestação formal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que o “processo de contratação será iniciado tão logo se conclua a análise jurídica”.

Além disso, a assessoria de imprensa do órgão informou que “após o recebimento do documento do IPHAN, o processo segue sob a análise da nossa Consultoria Jurídica, que está avaliando a melhor forma de contratação dentro das alternativas oferecidas pela Lei 8.666”.

Nesse jogo de empurra, o Iphan disse que realizará uma oficina de trabalho com o corpo técnico da área de arquitetura do MRE, mas não se posicionou sobre o atraso. O encontro tem como objetivo criar regras de manutenção das obras artísticas encontradas dentro do órgão, de modo a impedir novos danos às peças do local.

Descaso

No dia 23 de janeiro deste ano, o Metrópoles esteve no Itamaraty para conferir o estado da obra. Há, em todo o mural, respingos de tinta branca que foram derramados após uma restauração malsucedida do ambiente em 2013 – destruído após as violentas manifestações que ocorreram em julho do mesmo ano. Além disso, é possível ver rachaduras.

Os mesmos problemas foram constatados no dia 1º de fevereiro pela restauradora do Iphan Ana Cláudia Magalhães. Ela encontrou 10 problemas na pintura, atestando que “o painel encontra-se em mau estado de conservação, apresentando degradações no suporte e na policromia”.

Reprodução

Desde então, nada foi feito para resolver a degradação de “O Sonho de Dom Bosco”, que possui grande valor artístico. Além de contar o mito da fundação de Brasília, em que o sacerdote teria sonhado com o lugar da nova capital brasileira, o afresco é o único trabalho de Volpi tombado pelo Iphan.

 

 

COMENTE

palácio itamaratyvolpiafresco dom bosco
comunicar erro à redação