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É o agente Steve Murphy (Boyd Holbrook) quem narra a história de “Narcos”, série original da Netflix, disponível para streaming desde sexta (28/08). Porém, o personagem perde espaço ao longo da trama. Como era de se esperar, Pablo Escobar, o cabeça do narcotráfico colombiano, é quem guia os dez capítulos.

A dualidade do protagonista, desta vez interpretado pelo brasileiro Wagner Moura, prende o espectador. Escobar é um personagem fascinante, que desperta raiva e carisma. Foi um homem capaz de se comover com a morte de um cachorro, mas implacável ao explodir uma bomba num avião comercial.

A maioria dos atores está muito bem, mas é preciso admitir que a série escorrega em problemas semelhantes aos das telenovelas brasileiras. Aqui, nos acostumamos a ver e ouvir atores não-nordestinos tentando reproduzir sotaques da Bahia, Alagoas ou Maranhão. O resultado é uma fala homogenizada, que empobrece a riqueza e os detalhes do vocabulário de cada estado.

Escobar hecho en Brasil
Em “Narcos”, a questão é a disparidade. São norte-americanos, brasileiros e latinos de diversos países (Chile, México, Colômbia) tentando imprimir o sotaque paisa, típico de Medellín. Talvez, isso seja mero detalhe para os brasileiros, mas os hispanohablantes sentirão a diferença nas falas de cada personagem.

O caso mais nítido é o de Wagner Moura. Ator aplicado, Moura assumiu o papel antes mesmo da decisão da Netflix sobre o elenco. Ele foi para a Colômbia seis meses antes, aprendeu espanhol do zero e engordou 20kg para dar vida a Escobar. Foi um ótimo trabalho, contudo, na interpretação é impossível não perceber que é um brasileiro falando espanhol.

As comparações com “Tropa de Elite 1” e “Tropa de Elite 2” são inevitáveis. As cenas de ação e dos métodos de tortura na série e no filme são muito parecidas, mas o roteiro linear e o desfecho objetivo para uma história já conhecida são os méritos de “Narcos”, cuja história adaptada manteve a emoção e a tensão dos fatos reais.

No último capítulo, Pablo Escobar será morto, inevitavelmente. Mas diretores e roteiristas conseguiram gerar conflitos suficientes para prender o espectador, mesmo ele sabendo o fim do protagonista.

Diante de tantas séries, filmes e livros narrando a trajetória de Pablo Escobar, “Narcos” se sai bem e comprova que quando uma história é boa pode ser contada várias vezes.

Foto: Netflix/Divulgação

 

 

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