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Três lançamentos internacionais compõem a coluna “Leia e ouça” desta semana. Começamos por Bon Iver. Cinco anos após o bonito disco homônimo, ele retorna com o aguardado “22, A Million”, cheio de novidades melódicas e sonoras.

Poucos meses após lançar um novo disco de estúdio, “I Still Do”, Eric Clapton (foto no alto) relembra as parcerias com o falecido amigo J.J. Cale no álbum ao vivo em San Diego. Por fim, a cantora pop Regina Spektor é outra que retorna após hiato, com “Remember Us To Life”.

Leia e ouça:

Jagjaguwar/Divulgação

Bon Iver – “22, A Million”
Cinco anos após o bonito disco folk “Bon Iver, Bon Iver”, Justin Vernon volta a ser notícia no meio indie neste novo álbum de inéditas. Com um espírito conceitual, ele nomeia as canções com títulos incomuns e volta a investigar a si mesmo por outras vias: misturando seu folk de trovador solitário com programação eletrônica e distorções sonoras.

Após vencer dois prêmios Grammy por “Bon Iver, Bon Iver”, Vernon entrou em uma confessa crise pessoal. Seu retorno recusa as orquestrações grandiosas do disco anterior ou as meditações tristes de “For Emma, Forever Ago” (2007) em prol de uma experiência mais enigmática e tributária das suas colaborações com o rapper Kanye West.

Avaliação: Bom

Larry Busacca/Getty Images

Eric Clapton – “Live in San Diego (with Special Guest J.J. Cale)”
O veterano guitarrista segue em sua longa apreciação da obra do amigo e ídolo J.J. Cale, morto em 2013. Clapton gravou com Cale o disco “The Road to Escondido” (2006), liderou o tributo “The Breeze: An Appreciation of JJ Cale” (2014) e, já em 2016, revisitou algumas de suas maiores influências (Cale incluído, claro) no recente “I Still Do”.

“Live in San Diego” é o 13º ao vivo de Clapton editado em CD. E esse registro vem com todo um frescor e energia, já que foi gravado em 2007, após a parceria com Cale em “Escondido”. Os dois dividem o palco em performances de cinco canções de Cale, como “Cocaine” e “After Midnight”.

Entre as 16 músicas, Clapton assina apenas cinco (uma delas é a sempre infalível “Layla”) e abre mais espaço para versões, sobretudo de Robert Johnson (“Little Queen of Spades” e “Crossroads”). Vale também dar atenção ao singelo cover de “Little Wing”, de Jimi Hendrix. Não é o melhor dos álbuns ao vivo, mas o suficiente para compor um vibrante passeio.

Avaliação: Bom

Reprodução/Facebook

Regina Spektor – “Remember Us To Life”
Cantora de indie pop mais conhecida pelo seu quarto sólido disco de estúdio, “Begin to Hope” (2006), e pelo tema da série “Orange Is The New Black”, Regina já está em seu sétimo álbum. Aos 36 anos, a cantora parece presa a fórmulas fáceis da música indie.

Seu pop ao piano continua simpático, mas não passa muito de melodias semi-acústicas e baladinhas alegóricas. As tentativas de causar estranheza também soam inofensivas, a exemplo de “Small Bill$”. “Remember Us To Life” é mais um exemplar esquecível de uma artista talentosa, mas que prefere se apoiar nas sempre afetadas produções de seus discos.

Avaliação: Regular

 

 

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