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Os acordes iniciais de “Sol do Meu Amanhecer”, primeiro single de “Índigo Cristal”, novo disco do Natiruts, surgem de forma leve e serena. Lembram, em algum momento, um clássico da música popular brasileira. O dedilhado das guitarras também camuflam a força do reggae consagrado que já é feito há 21 anos.

O sétimo trabalho de estúdio do grupo brasiliense liderado pelo vocalista Alexandre Carlo externa não só a força do gênero musical em questão, mas a heterogeneidade de uma banda que aprendeu a absorver diferentes ritmos radiofônicos em suas composições.

“Somos considerados regueiros no Brasil, mas fora, onde os jamaicanos autênticos sempre fazem shows, somos vistos como artistas de música brasileira ou de world music, porque as misturas, inovações melódicas, rítmicas e harmônicas que propomos nas canções acabam nos diferenciando do reggae feito na Jamaica”, afirma Alexandre em entrevista.

Retorno
Depois de 8 anos sem um disco de inéditas, o Natiruts volta à ativa com “Índigo Cristal”. A essência do trabalho gira em torno da positividade e o seguir em frente em meio ao caos social. Com letras que falam sobre amor, o Natiruts se tornou uma banda mais madura e consciente da sonoridade que é capaz de produzir. “Depois da morte, amigo, tudo se resume a energia: positiva ou negativa. Quando você percebe isso, começa a se perguntar a quem interessa todo esse caos.

Se você olha para o tanto de estrelas lá em cima e acha que a única coisa que pode mudar sua vida é um Congresso, fica muito complicado achar uma saída. Na verdade, essa é a verdadeira prisão”, filosofa Alexandre.

Em “Raçaman” (2009), o Natiruts já dava sinais de amadurecimento. Letras mais críticas como “Fogueira de Desilusões e Vento”, “Sol Coração” externavam tal conceito. No novo álbum, inteiramente gravado no estúdio da Zeroneutro, agência da qual Alexandre Carlo é sócio, em Brasília, algumas composições dão continuidade a essa linha contundente e natureba.

Boas músicas
Os destaques são “A Justiça Falha” e “Desculpe Doutor”. “Nós nos tornamos experientes, sensatos e maduros. O mais importante sobre as verdades do País, que jamais haviam sido tão escancaradas, é a oportunidade do povo em ver que os problemas do Brasil não são só reflexos das mazelas da colonização ou do imperialismo norte-americano, como costumávamos bradar em tempos passados. Os ladrões estão aqui, de terno e gravata, eleitos por todos nós”, conclui ele.

Apesar das canções mais críticas, grande parte das faixas do trabalho não perdeu seu DNA Natiruts. “Canção Pro Vento” e “Eu Quero Demais” mantêm o legado. “Muitas coisas permanecem as mesmas. Só escutando para sacar”, acrescenta.

 

 

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