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Um dos maiores mistérios da literatura moderna é a verdadeira identidade de Elena Ferrante. E um jornalista italiano garante que conseguiu descobrir o nome de quem escreveu “A Amiga Genial”, “Dias de Abandono” e as outras obras assinadas sob o pseudônimo. A verdadeira autora seria a tradutora Anita Raja, colaboradora da Edizioni E/O, editora que publica os livros de Elena Ferrante, de acordo com o jornalista Claudio Gatti, que fez o anúncio em jornais do mundo todo. Filha de um magistrado italiano e de uma alemã que imigrou para o país ao fugir do Holocausto, Raja mora com o marido, o também escritor napolitano Domenico Startone.

A investigação foi baseada no aumento do montante pago à tradutora pela editora Edizione E/O. Em 2014, ano em que os livros de Ferrante foram editados fora da Itália, a receita cresceu 65% e atingiu 3 milhões de euros. Já em 2015, saltou para 150%, alcançando 7,6 milhões.

Gatti também teve acesso a registros imobiliários que indicaram que, em 2000, pouco tempo depois do primeiro livro da autora ser adaptado para o cinema, Raja adquiriu um apartamento próximo à Vila Torlonia, área nobre de Roma.

Desde então, o casal tem comprado outros imóveis, como uma casa de campo na Toscana e outro apartamento na capital italiana, avaliado em quase 2 milhões de euros. No início deste ano, o jornalista entrou em contato com Ferrante por e-mail para questionar sua identidade e a responsável pela obras respondeu que se mantinha no anonimato para se livrar da pressão social.

“O desejo de retirar-se de todas as formas de pressão social ou obrigação. Não se sentir preso ao que poderia se tornar se fosse uma imagem pública”, escreveu. As evidências documentais foram entregues à editora de Ferrante, que criticou a apuração do repórter, alegando que “esse tipo de jornalismo é nojento”.

Em comunicado em seu site, a Edizione E/O afirmou que “repugna ver uma grande escritora italiana, amada e celebrada em nosso país e no mundo, ser tratada como uma criminosa”.

Elene Ferrante é sucesso absoluto na Itália há mais de 20 anos e nunca revelou sua identidade. Sua “série napolitana”, dividida em quatro livros, foi responsável pela indicação da escritora em 2016 ao Man Booker International Prize, um dos mais prestigiados prêmios literários do mundo.

 

 

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