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O amor à literatura e a coragem de produzir o próprio livro são pontos semelhantes de duas histórias diferentes, mas que têm o mesmo desfecho. Débora Paraíso e Ana Torquato acabaram de estrear como escritoras e já viram seus nomes entre os 16 escritores do Distrito Federal selecionados para participar da 3ª Bienal do Livro e da Leitura de Brasília — que ocorre entre os próximos dias 21 e 30.

Adolescente de 14 anos, moradora de São Sebastião, Débora escreveu o romance fantástico “Uma Gota de Sangue”. Ana, 40 anos, que trabalha e mora no Paranoá, é autora de “Minha Cidade” — que, curiosamente, foi ilustrado pela filha dela, Sofia, de apenas 7 anos.

Vampiros, lobos e bruxas
Por cerca de nove meses, Débora Paraíso se dedicou a construir, em 218 páginas, a história da Valentina, menina sonhadora que mora em uma cidade pequena e tem interesse por contos de vampiros, lobos e bruxas. Ela conhece um menino misterioso na escola e, a partir desse encontro e dos sonhos da jovem, grandes aventuras começam a acontecer.

Débora conta que nem sempre gostou de ler, mas decidiu escrever o livro como um hobby, que acabou se tornando algo muito mais intenso e visceral.

Eu escrevia só nos fins de semana, mas depois comecei a escrever mais. Sentia que estava me tornando a personagem, ela passou a fazer parte de mim"
Debora Paraíso, escritora

Depois da história pronta, os pais de Débora perceberam o talento da filha e decidiram investir na publicação. “A gente não tem muitas condições financeiras, então tudo foi muito difícil. Contratamos uma revisora de Minas Gerais pela internet. Ela ficou impressionada com a capacidade da Débora de contar histórias melhor que muitos adultos”, conta Valquíria Gonçalves, mãe da moça.

Giovanna Bembom/Metrópoles

Débora Paraíso, selecionada com o livro “Uma Gota de Sangue”

 

Passagem pela Bienal de São Paulo
O contrato com a editora Autografia, do Rio de Janeiro, foi modesto, com direito a apenas 100 exemplares. Mesmo assim, o livro teve lançamento na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto. “Compramos as passagens independentemente do lançamento do livro, iriamos de qualquer jeito porque era o sonho da Débora, e terminou sendo uma experiência incrível”, conta Valquíria.

A classificação do livro para a Bienal do Livro e da Leitura de Brasília é vista por Débora como “um sonho que virou realidade”. “Foi uma emoção muito grande quando vi meu nome entre os finalistas”. O livro é o primeiro livro de uma duologia. O segundo se chama “Poder Concedido Pela Lua” e já está pronto para ser publicado assim que terminar a campanha de divulgação do primeiro volume.

A vida na cidade grande
Seguindo outra vertente, Ana Torquato levará à Bienal o livro infantil “Minha Cidade”. Voltado a temas como o direito à cidade, o livro aborda reciclagem, saúde, mobilidade urbana, lazer, educação e responsabilidade governamental. A história começa quando um menino escuta sua mãe comparando a cidade onde vivem a um ovo. A partir daí, a aventura fica por conta das reflexões particulares do personagem sobre os lugares que frequenta.

Ana é coordenadora em uma escola da rede pública na região administrativa do Paranoá. A ideia veio a partir do projeto Plenarinha, parceria entre a Secretaria de Educação e a Câmara Legislativa, que todo ano trabalha um tema de interesse público com as crianças. Este ano, o tema foi “A cidade e o campo que as crianças querem”. “Procurei bibliografia para trabalhar o tema com as crianças, mas não achei, é muito difícil, então decidi escrever o livro”, conta Ana.

Giovanna Bembom/Metrópoles

Ana Torquato e Sofia exibem o livro “Minha Cidade”


Parceria com a filha

Uma característica importante de “Minha Cidade” são as ilustrações feitas por Sofia, filha de Ana, de apenas 7 anos. “Sofia desenhou também como forma de empoderar as crianças e deixá-las mais protagonistas do tema. Foi muito bom fazer esse trabalho com minha filha. Ela vai comigo aos locais para apresentar, assina o livro”, diz Ana, que fez o livro de forma totalmente independente, sem editora e com recursos próprios.

Investi minha poupança , contratei um designer e o livro saiu. Foi um investimento, já se pagou só pela experiência boa"
Ana Torquato, escritora

Com uma linguagem acessível à crianças em fase de alfabetização, a história é toda rimada, uma opção para incentivar as discussões em classe ou em família. Ana tem sido convidada a apresentar o livro em escolas e terá chance de alcançar um público maior na Bienal do Livro e da Literatura de Brasília. “(O fato de ser selecionada) Mostra que a gente precisa acreditar nas coisas que fazemos, todos nós somos capazes”, reflete Ana.

 

 

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