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Por Jorge Gil

Estudante do curso de Letras da Universidade de Brasília, Stella Hadassa Ferreira França é uma das concorrentes ao 12o Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil. O concurso literário reúne obras de jovens escritores brasileiros. Neste ano, 10 autores são finalistas ao prêmio de literatura. Em todo o Brasil, 1.529 escritores se inscreveram no concurso. Stella Hadassa participa com o conto “Operação Parquinho”. A obra narra a história de Duda, uma menina de dois anos que monta um engenhoso plano para chamar a atenção da mãe.

Beto Monteiro/UnB

Perfil
Leitora e escritora desde a infância, Stella Hadassa tem 21 anos. Em 2013, foi vencedora do Prêmio Sesc Monteiro Lobato, com o conto infantil “Mugu”. Stella declara que o seu interesse pela literatura surgiu aos sete anos, com a leitura de revistas de histórias em quadrinhos e livros infantis. “Os personagens do Maurício de Sousa sempre foram os meus favoritos”.

A escritora observa que a literatura infantil, quando oferecida nas escolas, pode despertar nas crianças o interesse e o prazer pela leitura. “Considero que a literatura deve ser dada nas escolas, não apenas como simples manuais didático/pedagógicos. Os livros infantis devem ser vistos como verdadeiras obras de arte que são”, destaca.

Enredo criativo
Em “Operação Parquinho”, Stella Hadassa explora o universo do comportamento infantil de forma singular. Na história, Duda – uma menina de dois anos –, traça um mirabolante plano, na tentativa de manter-se mais perto da sua mãe e afastá-la dos “amigos” da internet. Numa trama recheada de diálogos surpreendentes, a autora aborda as relações familiares na contemporaneidade e as influências das novas tecnologias na criação dos filhos.

Prêmio
Iniciado na Espanha, em 1978, o Prêmio Literário Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil (Premio El Barco de Vapor) tem como objetivo revelar novos autores, estimular a criação literária nacional e oferecer textos inéditos aos jovens leitores. Organizado pela Fundação SM (instituição espanhola), o Barco a Vapor também acontece na Argentina, Chile, México, República Dominicana, Colômbia e Porto Rico. No Brasil, o concurso ocorre desde 2005.

Na edição do ano passado, o livro premiado foi “O Vento de Olab”, de João Luiz Guimarães. Em 2016, o vencedor ganha R$ 40 mil e tem o livro publicado pela Editora SM. O resultado final sai no dia 27 de setembro. A aluna da Universidade de Brasília confia que “Operação Parquinho”, tem grande chance de vencer. “Só por participar de um concurso literário tão importante, já me considero uma vencedora”, diz a estudante.

Para crianças e jovens
A literatura infantil é destinada, especialmente, às crianças com idade entre dois e dez anos. O conteúdo de uma obra infantil precisa ser de fácil compreensão pela criança que a lê, seja por si mesma, ou com o auxílio de um ledor. Em geral, uma obra literária infantil possui algumas características em comum. São textos relativamente curtos (80/100 páginas), escritos em linguagem simples e clara, com predominância para a presença de estímulos visuais (cores, imagens e fotos). Muitas vezes, as crianças ou animais são os principais personagens das histórias que, em geral, terminam com final feliz.

No Brasil, o mais importante escritor infantil foi Monteiro Lobato. Suas obras mais famosas são o “Sítio do Picapau Amarelo”, “Reinações de Narizinho” e “Ideias de Jeca Tatu”. Além dele, também destacam-se o mineiro Ziraldo, autor de “O Menino Maluquinho”, e Ana Maria Machado, autora de “Bisa Bia, Bisa Bel” e “Um Gato no Telhado”.

A literatura juvenil, por sua vez, é dedicada a leitores entre dez e quinze anos de idade. Fatos comuns a obras literárias juvenis, geralmente, apresentam temas de interesse ao jovem adolescente. Dessa forma, os escritores apresentam temas relacionados a relações amorosas e viagens fantásticas às terras imaginárias. Nesta literatura, via de regra, os personagens protagonistas são da mesma faixa etária dos jovens leitores. Thalita Rebouças (“Ela Disse, Ele Disse”) e Paula Pimenta (“Minha Vida Fora de Série”) são duas escritoras que, atualmente, se destacam no cenário nacional da literatura voltada para o público jovem.

Vontade
Stella admite que gostaria que o curso de Letras da Universidade de Brasília oferecesse disciplinas específicas, que valorizassem o ensino/aprendizagem da literatura infantil. “Durante a graduação, estudamos vários clássicos da literatura mundial. Porém, sinto falta dos autores de textos para crianças. Seria muito bom se pudéssemos conhecer, com mais profundidade, os escritores da literatura infantil e juvenil”, solicita a estudante.

Em andamento
Na Universidade de Brasília, diferentemente de outras universidades do Brasil (como UFG, UFC e UFMG, por exemplo), ainda não são oferecidas disciplinas que abordem, especificamente, a literatura infantil e juvenil. Segundo a professora Ana Cláudia da Silva, do Instituto de Letras (IL/UnB), já existe um processo em andamento para que essas disciplinas sejam incluídas na grade curricular. “No Instituto de Letras, a situação está em trâmite. Estamos aguardando a discussão da ementa para que possamos oferecer, aos nossos alunos, disciplinas que abordem a literatura infantil”, afirma a professora.

 

As informações são da agência UnB Notícias

 

 

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