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Perto de completar 64 anos, Ralph Gehre comemora um momento importante da carreira na exposição “Recluso – Oficinas Verso”. A mostra abre nesta quarta (5/10), no Museu Correios, e traça um panorama da obra do artista ao longo de quatro décadas, entre desenhos, pinturas, fotografias, objetos e livros. “Nesse momento eu tenho todos os anos do mundo”, brinca.

Transitando entre trabalho autoral e curadoria, Gehre acredita que a persistência o trouxe até esse estágio: o de um artista que expõe desde os anos 1980 e construiu uma carreira produtiva e constante. “O trabalho encaminha o trabalho”, explica. “A parte significativa é seguir fazendo e vivendo em função do trabalho. É o mais difícil para qualquer artista”.

Veja algumas obras da exposição:

 

As oficinas “Verso” complementam semanalmente a mostra, com encontros que envolvem atributos práticos das artes visuais, como montagem de exposições e conservação de obras. Críticos e historiadores participam das conversas (veja a programação).

Outro aspecto celebrado por Gehre em “Recluso” é a catalogação de sua obra. “É uma oportunidade de retomar isso. Produzo e trabalho muito e, por várias circunstâncias, eu perdi muitas ocasiões de registrar, anotar, catalogar. A exposição é temporal, mas o catálogo fica”, aponta.

As imagens das coisas e seus nomes
Uma das marcas mais reconhecíveis do trabalho de Gehre é ocupar o lugar entre imagem e palavra. “Mais do que isso, existe a própria leitura do mundo, da vida, das coisas. Como nós lemos e entendemos as coisas a partir de seus nomes e imagens”, continua o sul-mato-grossense radicado em Brasília.

Quinta (6/10), na Galeria Ponto, ele atua como curador ao acompanhar a abertura da mostra de fotografia “A Linha de Sombra”, que envolveu 15 jovens nomes sob sua coordenação. O envolvimento com outras gerações da arte contemporânea brasiliense também o levou a compor o júri do prêmio “Transborda”, além das frequentes curadorias. Em 2014, ele teve obra comprada para o acervo do Museu Nacional da República.

Eu sou muito amigo do Athos (Bulcão). Ele resolveu morrer, mas eu ainda sou amigo. E nessa amizade, sempre que pinto algo eu penso ou imagino em mostrar a ele"
Ralph Gehre, sobre Athos Bulcão

Na capital desde 1962, Gehre pôde cultivar uma proximidade com grandes nomes da arte brasileira, como Rubem Valentim e Athos Bulcão. Do escultor, ele guarda uma lembrança que ajudou a formatar a sua trajetória como artista.

“Não tem nada que eu possa comparar com essa oportunidade de aprendizado: de vê-lo misturando uma tinta. A quantidade de água, o jeito como esfregava o pincel, o tamanho da vasilha. Uma informação minúscula que muda tua vida”.

“Recluso – Oficinas Verso”, de Ralph Gehre
Abertura quarta (5/10), às 19h, no Museu Correios (Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, 3213-5076). Visitação de terça a sexta, das 10h às 19h. Sábado, domingo e feriado, das 12h às 18h. Entrada franca. Até 27 de novembro.

 

 

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