*
 

Brasília, além de receber mostras internacionais, serve também como residência artística para grandes nomes da arte. É o caso da Galeria Karla Osório, localizada no Lago Sul. A galerista recebeu durante quatro semanas o artista holandês Roland Gebhardt, um dos principais representantes do movimento minimalista de Nova York (EUA), que teve seu auge entre os anos 1970 e 1980.

O resultado dessa residência artística pode ser conferido na mostra “A Semântica do Vazio”, aberta ao público na última terça-feira (5/9). Usando matemática, geometria e a retirada de matéria para conceber uma nova identidade da forma, Roland cria uma obra significativa e que funciona esteticamente.

Junto às obras inéditas, o artista apresenta algumas esculturas realizadas nas décadas de 1970 e 1980. As peças foram expostas em Nova York ao lado de trabalhos de Donald Judd, Richard Serra, Carl Andre e Agnes Martin.

Compreender o processo de construção das peças de Gebhardt ajuda os visitantes a entenderem a essência de sua arte. Trata-se de um movimento: em primeiro lugar, ele retira qualquer conteúdo figurativo na busca pelo “vazio”; em seguida, volta a preencher a obra com significados mínimos e geométricos.

Trabalho artístico
A repetição é um elemento essencial para o artista. “Muitas questões da minha obra só se revelam por meio da repetição. É o mínimo a ser dito”, explica Gebhardt em entrevista ao Metrópoles. Ele também revela que, às vezes, a ênfase do trabalho artístico está na ausência, na contemplação do nada. Porém, em outros momentos, busca-se uma conexão entre a repetição das linhas vazias.

O vazio conecta."
Roland Gebhardt

Seu trabalho enquadra-se bem no movimento minimalista — no qual a pintura e a escultura são realizadas com uma economia extrema de meios. É a partir de materiais industriais pré-fabricados e formas geométricas simples que os espectadores se veem diante do questionamento acerca dos “vazios”.

Percebe-se também que o período de trabalho em Brasília foi, de fato, de grande serventia para Gebhardt. “Trabalhei muito bem aqui, a luz é maravilhosa”, afirmou. “As linhas da arquitetura da cidade combinam com a minha visão de estética. Além disso, a sensação de espaço é muito diferente do amontoado que encontramos na maioria dos grandes centros”, concluiu.

“A Semântica do Vazio”, de Roland Gebhardt
Até 14 de outubro, na Galeria Karla Osório localizada no Lago Sul (SMDB, Conjunto 13, Lote 18). Visitas devem ser agendadas diretamente com a galerista pelo telefone (61) 3367-6303

 

 

 

COMENTE

MinimalismoGaleria Karla OsórioRoland Gebhardt
comunicar erro à redação