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Como um fã do último filme de Zhang-Ke, que ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2013, eu estava ansioso por Shan He Gu Ren, mas saí um pouco decepcionado deste ambiocioso épico sobre o progresso chinês em relação ao mundo. O tema central deste é o mesmo do último filme—o que acontece com as pessoas que habitam um país em crescimento vertiginoso.

No último filme, A Touch of Sin, os personagens de Zhang-Ke, vivendo na China do presente, foram todos massacrados pela inexorável marcha do progresso. Enquanto a China se modernizou, ele se suicidaram ou foram assassinados. Shan, que se divide em três capítulos, um em 1999, o segundo em 2014 e o último em 2025, tem vários ingredientes para um desfecho explosivo, incluindo um triangulo amoroso.

Liangzi (Liang Jin Dong) e Zhang (Zhang Yi) são rivais pelo amor de Shen Tao (Zhao Tao), mas enquanto Liangzi é um trabalhador humilde, empregado numa mina de carvão, Zhang é um playboy principiante, que tenta impressionar a moça com seu novo carro sedã. No jogo de amor vale tudo, e Zhang, o novo capitalista, logo compra a mina para se livrar de Liangzi, o antigo trabalhador rural, e conquistar Tao. O plano funciona—apesar dos momentos de honesta intimidade com Liangzi, Tao se casa com Zhang. A foto dos noivos é feita em frente a uma impressão gigante de uma paisagem australiana, metáfora da falsa ostentação.

Apesar destes elementos, o diretor escolhe usar o máximo de sutileza possível, enxaguando a violencia e os extremos do roteiro. Acompanhamos os destinos destes personagens nas seções seguintes e encontramos histórias com uma realidade plausível e palpável. O filme tem uma grande ambição de abordar seus temas discretamente, mas atinge um objetivo oposto. Fica chato, e os personagens tão desprezíveis que fica difícil se importar com eles. O capítulo futurista, o mais arriscado, é também o menos interessante, pois Zhang remove seus personagens da China e coloca-os na Australia. E esse transplante não fez bem ao melhor dramatista da China moderna.

 

 

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