*
 

Num Japão antigo, ainda feudal, a Corte Imperial e o feudo de Weibo vivem época de tensão entre eles. Discordâncias entre os dois governos forçam o uso de uma assassina profissional, Nie Yinniang (Shu Qi), para assassinar o governador de Weibo, o Lorde Tian Ji’an (Chang Chen). Mas Yinniang, raptada aos 10 anos de idade e treinada na arte de kung-fu pela sua captora hesita em executar o contrato, pois Lorde Ji’an é seu primo, e, no passado, foi seu noivo.

A premissa de A Assassina, filme do diretor Hou Hsiao Hsien é eletrizante, mas o filme nem tanto, e de propósito. Apesar de lançado como um filme de artes marcias, as cenas em que estas são usadas não cronometram nem 90 segundos dos 107 minutos. Hsien não parece estar interessado nos momentos de ação, mas sim em todos os outros. O desfecho pode ocorrer em meros segundos, mas as ações e intrigas que levam a este desfecho são o que ocupam o resto do tempo. Vemos uma assassina que não mata tanto, mas contempla, planeja, treina e pesquisa.

Essa renegação de ação com certeza alienará a maioria dos espectadores, se não os fizer abandonar a sala de cinema no meio da sessão, pois A Assassina exige muita paciencia até de quem já está acostumado com filmes lentos. Mas quem ficar poderá apreciar um dos filmes mais bonitos do festival. Bonito de se ver, não necessariamente de se emocionar. Desde Ran, do mestre Akira Kurosawa, o cinema japonês não conseguiu inovar ao mostrar um passado feudal. E aqui, tanto a direção de arte quanto a câmera estão engajadas em banhar o espectador na beleza estética.

 

 

COMENTE

festival de cannespalme d'orNie YinniangHou Hsiao Hsien
comunicar erro à redação