*
 

O escritor Ismael Caneppele cresceu numa cidade do interior do Rio Grande do Sul. A infância e adolescência num lugar tão provinciano provocou uma angústia existencial sempre presente. Autor de dois livros que viraram filme, ele centra suas narrativas em personagens adolescentes que exibem as mesmas inquietações de seu autor.

A melodia de “Música para Quando as Luzes Apagam” (2009), o primeiro longa-metragem da mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, é construída a partir dessa premissa. “Acho que se sentir inadequado é um bom ponto de partida para que alguma coisa aconteça. O desconforto gera antagonismo, um motor para narrativas. As histórias que contamos são as de fracasso ou de quase fracasso”, descreve Caneppele.

“Os Famosos e os Duendes da Morte” foi o segundo livro lançado, mas o primeiro a ser adaptado para o cinema com a direção do cineasta Esmir Filho. “Música” é o primeiro escrito e dirigido por Caneppele. O projeto sofreu inúmeras alterações nesta adaptação para as telas de cinema. A publicação era protagonizada por um garoto gay. No longa, porém, o protagonista é um garoto trans, interpretado pela atriz iniciante Emelyn Fischer:

Na busca por um menino gay, encontrei a Emelyn, e embarquei nesse mundo. O livro já era documental, uma vez que partiu do diário de uma menina. Quando transformei em meu, a menina virou um menino. quando fui fazer o filme, queria partir de lugares e situações do livro, mas permitindo que novos narradores assumissem a narrativa. Assim, buscando o menino do livro, encontrei Emelyn"
Ismael Caneppele

O trabalho é resultado de uma busca pelo personagem que levou 13 meses para ser construído e rendeu 300 horas de gravação em cinema digital. A atriz Júlia Lemmertz, nome mais conhecido do elenco, interpreta justamente uma cineasta tentando documentar a vida do adolescente. “Ela entra para captar imagens em lugares que nenhum outro corpo seria capaz de estar. Júlia apresenta um olhar sobre essa realidade. Mais do que atriz, foi uma extensão do meu ouvido, conseguindo penetrar nessa realidade”, reconhece o diretor.

Outra atrações do dia:
Curtas-metragens
“O Peixe”
O videoartista Jonathas de Andrade costuma mistura vídeo, fotografias e instalações em suas obras que já foram expostas em diversas galerias do mundo.Com “O Peixe”, misto de documentário e ficção, Andrade registra o ritual de um grupo de pescadores que abraçam os pescados antes de matá-los. O curta foi exibido no primeiro no Moscow Experimental Film Festival e no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.

“Nada”
Desde a exibição do curta-metragem “Contagem” exibido no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Gabriel Martins, um dos diretores do coletivo mineiro Filmes de Plástico, apresentou a veia de seu cinema no Festival de Brasília. Em “Nada”, película dirigida por Martins, uma adolescente que recém completou 18 anos, não quer fazer exatamente nada da própria vida.

Exibição do longa-metragem “Música para Quando as Luzes se Apagam”, de Ismael Caneppele e dos curtas-metragens, “O Peixe”, de Jonathas de Andrade e “Nada”, de Gabriel Martins.  Às 19h, no Cine Brasília. Ingressos: R$ 12 e R$ 6 (meia). Classificação indicativa 14 anos

Sessões simultâneas, às 19h, no Teatro da Praça (Taguatinga) Espaço Semente (Setor Central – Gama), Teatro de Sobradinho  e Riacho Fundo (em frente à Administração).  Entrada franca

 

 

COMENTE

festival de brasília 2017“Música para Quando as Luzes se Apagam”Festival 50
comunicar erro à redação