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Complexidade e a área nebulosa do relacionamento de seus personagens é o destaque de Mon Roi, quarto longa da francesa Maiwenn como diretora. Tudo aqui remete à francofilia: tema, o relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher, os atores, Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot, a cidade, Paris, e a profissão do personagem, chef gastronômico. Apesar de imerso na mais pura tendencia do melodrama, com cenas variantes entre amor intenso e histeria emocional, Maiwenn consegue aplicar uma linguagem de cinema e um diálogo coloquial moderno de forma a manter o interesse e ritmo do espectador.

Tony, após um acidente de ski, está numa clínica de fisioterapia enquanto recupera o movimento da perna. Lá, num poço existencial, começa a refletir sobre seu relacionamento com Georgio, um furacão masculino que entrou em sua vida. Georgio é a versão masculina de uma manic-pixie-dream-girl, aquela figura de mulher misteriosa e também mega empolgada que entra na vida de um sujeito neurótico e lhe renova a paixão. Mas além da troca de sexos, Mon Roi vai muito além do momento da conquista e mostra o casamento inteiro. É nestes dois quesitos que está o seu valor.

O que estraga a história é esta técnica narrativa de trazer uma protagonista em crise forçada a relembrar o passado. Saber de antemão, no primeiro momento, que o fim do relacionamento acontece e que Tony tem um acidente não acrescenta em nada, na verdade diminui. Seria muito mais interessante navegarmos estes personagens sem clarividencia. Alias, a maioria dos filmes que utilizam isto ficariam bem melhores sem. Imagino que este recurso, o do personagem em crise reavaliando sua vida, é muito usado pela aura de profundidade que ele subscreve à obra. Porém, enquanto alguns mestres do cinema conseguem atingir esta profundidade, a maioria boia, com um colete salva-vidas obsceno.

 

 

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