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O Metrópoles está no Festival do Rio e já assistiu alguns dos filmes que estarão em cartaz nos próximos dias.

Um dos destaques da programação é “Eu, Daniel Blake”, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Confira nossas impressões:

5 estrelas – Excelente

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“A Transfiguração”, de Michael O’Shea (Estados Unidos)
Milo (Eric Ruffin) é um jovem com uma existência sofrida. Atormentado pelos colegas de escola e vivendo em um bairro de Nova York dominado por gangues e o tráfico de drogas, ele tenta superar o trauma do suicídio da mãe enquanto mora com o irmão mais velho, sempre plantado na frente da TV. Milo está tentando se transformar num vampiro, mas quando conhece uma outra jovem, sua vizinha, talvez saia da escuridão que o cerca.

Quanto menos das surpresas deste filme revelarmos, melhor, pois é uma fantástica combinação de vários gêneros: terror e drama social, com pitadas de romance e amadurecimento. É o primeiro filme de um diretor que com certeza ainda fará muita coisa boa.

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“Capitão Fantástico”, de Matt Ross (Estados Unidos)
Viggo Mortensen é o patriarca de uma família com seis filhos e todos moram na natureza selvagem – em cabanas e barracas montadas em um terreno no meio da floresta. Os dias se passam com a família envolvida em treinos de defesa pessoal, caça e aulas de física quântica e literatura. Quando a mãe morre, após uma estadia num hospital, a trupe tem de voltar à civilização e confrontar a família conservadora dela durante o enterro.

Mais conhecido com os papéis que fez como ator, Matt Ross escreveu um roteiro impressionante. Vencedor de prêmios em Sundance, chegou em Cannes com grande expectativas e saiu aclamado. “Capitão Fantástico” É um filme sobre ideias e ideologias que, no final das contas, reconhece que o ideal nunca está nas extremidades, mas sim no centro. Imprescindível para o mundo de hoje.

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4 estrelas – Ótimo

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“Paterson”, de Jim Jarmusch (Estados Unidos)
Adam Driver, agora mundialmente famoso por ser o vilão Kylo Ren de “Star Wars – O Despertar da Força” (2015), é Paterson, um jovem motorista de ônibus desfrutando de uma rotina que não parece tão especial. Acorda de manhã, vai trabalhar, à tarde escreve poesia e a noite leva o cachorro para passear, parando no bar de sempre para uma única cerveja.

Ao contrastar o cotidiano com as ambições poéticas de seu protagonista, Jarmusch une dois mundos e compõe uma linda homenagem à cidade de Paterson, Nova Jersey. Pitadas surreais ainda compõem o cenário, com pares de gêmeos aparecendo por todo lugar e com o constante antagonismo entre Paterson, o motorista, e seu buldogue Marvin.

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“Sieranevada”, de Cristi Puiu (Romênia)

Três dias após o ataque contra a revista Charlie Hebdo, e 40 dias após a morte de seu patriarca, uma família tenta se reunir para um jantar. Lary (Mimi Branescu), médico e filho mais velho, se esforça para administrar de todos os jeitos os dramas, traumas e conflitos da imensa família.

Puiu gosta de fazer filmes no estilo “rir para não chorar”. É especializado em comédias que são tão deprimentes quanto engraçadas. Com quase três horas de duração, o filme é um retrato absolutamente caótico sobre avós, tios, irmãos e netos que, se não fossem família, nunca voltariam a se ver. Num apartamento apertado, a câmera ainda atua como mais um membro dessa problemática família.

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“Eu, Daniel Blake”, de Ken Loach (Grã-Bretanha)
O comediante Dave Johns vive Daniel Blake, carpinteiro idoso que sofre um ataque cardíaco e fica impedido de trabalhar. Dependente pela primeira vez da ajuda do governo, ele tenta navegar pelo labirinto kafkiano da burocracia. Faz amizade com uma mãe solteira, que tenta criar seus dois filhos com um pouco de dignidade.

Muito do filme depende do carisma de Johns, sujeito carismático e engraçadíssimo. Vencedor da Palma de Ouro em 2006 por “Ventos da Liberdade”, Ken Loach sabe fazer filmes com temas sociais, muitas vezes até dramas históricos. Aqui, sua câmera tem um estilo mais documental, pois se trata do governo irlandês atual. O filme seria ainda melhor se na reta final não se rendesse ao melodrama.

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“Personal Shopper”, de Olivier Assayas (França)
Kristen Stewart é uma médium espiritual que está em Paris aguardando um sinal de seu irmão gêmeo, falecido há três meses. Enquanto espera, ela trabalha como compradora de roupas e looks para uma atriz famosa. Ao mesmo tempo, começa a receber mensagens estranhas no celular.

É raro ver alguém como o dramaturgo Assayas explorar o cinema de gênero, como ele explora o horror aqui. Seria mais simples ele fazer um filme sobre o ennui bourgeois, com uma personal shopper em crise existencial vagando, ela mesma como um fantasma, por Paris. Mas aí nem valeria a pena assistir. Com esta trama supernatural ele consegue tentar algo novo. Será melhor aproveitado por quem já conhece o trabalho do diretor.

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3 estrelas – Bom

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“Toni Erdmann”, de Maren Ade (Alemanha)
Winfried (Peter Simonischek), de 65 anos, é um professor de música que vive do bom humor e das peças que prega nos seus alunos e colegas. Quando seu cachorro morre, ele decide voltar a se conectar com a filha, executiva bem-sucedida de uma consultoria de empresas. Usando uma fantasia, ele vira “Toni Erdmann” e persegue a filha no seu dia-a-dia.

Vencedor do prêmio da crítica, entregue pela Fiprescu, o filme é uma mistura de comédia e drama entre pai e filha com estilos de vida completamente diferentes. Raramente vemos um filme como esse sobre um pai com 65 anos e uma filha com mais de 40, e por isso “Erdmann” é um frescor. Os confrontos e as piadas são diferentes do que esperamos, mas, com mais de 2 horas e meia de duração, um corte mais enxuto revelaria um filme bem melhor.

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2 estrelas – Regular

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“Loving”, de Jeff Nichols (Estados Unidos) – foto no alto da página
O filme conta a história real do casal Richard e Mildred Loving (Joel Edgerton e Ruth Negga), que se casou nos anos 50, ele branco e ela negra, e foi prontamente detido por violar as leis raciais da época. O caso dos dois chega até a Suprema Corte dos Estados Unidos enquanto eles tentam criar três filhos.

O diretor Jeff Nichols tomou uma decisão irreverente ao focar não no caso judicial do filme, mas apenas no relacionamento entre os dois protagonistas. Apesar de um primeiro ato excelente, falta carga dramática neste esquema. Mesmo com uma história importantíssima, o drama naufraga sem um conflito onde ancorar.

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1 estrela – Ruim

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“Na Vertical”, de Alain Guiraudie (França)
Vagando pelo interior da França em busca de um lobo, um jovem escritor (Damien Bonnard) engravida uma pastora de ovelhas (India Hair) e decide morar com ela e o pai. Envolve-se com todo tipo de gente, incluindo um vizinho grisalho e seu jovem amante.

O filme poderia ser uma brilhante farsa, ou até mesmo um conto de fadas às avessas, mas se perde em suas próprias bizarrices. Sem atores de expressão, resta ao público se sentir tão apático quanto Léo, o personagem principal.

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“Mistério na Costa Chanel”, de Bruno Dumont (França)
No norte da França, em uma cidade de praia populada por grã-finos de férias e por famílias pobres de pescadores nos anos 1910, dois investigadores estão atrás de pistas do desaparecimento de várias pessoas. Passamos a maior parte do tempo com duas famílias, os Van Peteghems, burgueses tolos e incestuosos, e os Bréforts, coletadores de ostras. Um dia, brota um romance entre Ma Loute, da família pobre, e Billie, da família rica.

“Mistério na Costa Chanel” chega a nem fazer sentido como filme. Apesar de se valer de uma boa premissa e de um cenário interessante, os personagens não agem por motivações discerníveis. O elenco de estrelas parece ter sido instruído a incorporar o exagero e a caricatura como modo de trabalhar. Um completo desperdício.

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“É Apenas o Fim do Mundo”, de Xavier Dolan (Canadá)
Após uma ausência de doze anos, o designer de moda Louis (Gaspard Ulliel) retorna à casa da mãe com um segredo. Seus dois irmãos e cunhada estão ansiosos e apreensivos para reencontrá-lo.

Dolan é realeza em Cannes, e já compôs o júri após o sucesso do excelente “Mommy” (2014). Para este novo filme, conseguiu atores de peso, como Marion Cotillard, Vincent Cassel e Léa Seydoux, mas seu ator principal, Ulliel, não está à altura dos coadjuvantes. Pretensioso e depressivo ao extremo, está mais para um filme de estudante do que o de um menino prodígio.

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