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“A Canção do Pôr do Sol”, atração no Festival do Rio, é mais um melodrama potente dirigido por um especialista no assunto. Prestes a completar 71 anos, o inglês Terence Davies, do belo “Amor Profundo” (2011), também está na mostra com “Uma Paixão Tranquila”.

Adaptação do livro de Lewis Grassic Gibbon, “Canção” narra a juventude de uma escocesa nos primeiros anos do século 20, entre sonhos perdidos, sofrimentos cotidianos e perdas angustiantes. Chris (Agyness Deyn) narra sua própria história (em off) entre o fim da adolescência e os primeiros anos de vida adulta.

Criada sob a rigidez opressora do pai fazendeiro (Peter Mullan), Chris sonha em se tornar professora. Pouco a pouco, porém, vê sua trajetória tomar rumos cada vez mais corriqueiros e trágicos. A ambientação de época contida, trabalhada com uma poderosa iluminação natural, acompanha uma série de perdas e rupturas familiares que envolve o destino da personagem.

“A Canção do Pôr do Sol” brilha no seu intimismo pungente e na maneira como nega as tentações de um épico familiar ou de uma grande aventura humana. Chris aprende a sobreviver em um mundo dominado por homens truculentos e penitências diárias. Para cada decepção (casamento) ou evento destrutivo (mortes, guerra), há um reajuste possível por meio da ternura e da resiliência.

Avaliação: Ótimo

“A Canção do Pôr do Sol” ainda não tem data de estreia no Brasil

 

 

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