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No Egito Antigo os gatos eram cultuados como animais sagrados. Na sociedade moderna, ou seja, nos dias de hoje, esses felinos dóceis e carinhosos são tratados quase como membros da família, senão, como de fato, um ente familiar. Pelo menos é o que acontece com ator Kevin Spacey, que resolveu dar um tempo como o político Frank Underwood da badalada série “House of Cards”, para, veja só, reencarnar num bichano.

No filme dirigido por Barry Sonnenfeld (da trilogia “MIB – Homens de Preto”) ele é Tom Brand, um empresário multimilionário egoísta e arrogante que ambiciona construir em Nova York a mais alta torre do Hemisfério Norte. É ali que será transferida a nova sede do seu império e ele irá atingir essa meta, nem que precise negligenciar a atenção e o afeto da esposa Lara (Jennifer Garner) e da filha Rebecca (Malina Weissman), ambas carentes de sua figura como esposo e pai.

“O dia que divorciei foi o dia mais feliz da minha vida”, ironiza uma ex-esposa chata, cansada de ficar em segundo plano.

Um dia ele se dá conta de que a filha irá soprar velinhas e não comprou nada para a guria. Pior, ele recusa terminantemente em dar o que ela pediu de presente porque, simplesmente, movido por sentimento ególatra, não gosta de bolas de pelo andando ao seu redor. “Eu odeio gatos!”, diz para quem quiser ouvir.

Mas Tom não quer bancar o pai insensível e faz o gosto da menina sem saber que acaba de comprar, numa lojinha misteriosa comandada pelo estranho proprietário Felix Perkins (Christopher Walken), um gato mágico. O que ele descobre quando sofrer um acidente no topo de seu prédio prestes a ser inaugurado, ao ser atingindo por um raio, ganhando uma das nove vidas do felino.

Fábula urbana simplista
Fábula urbana com enredo simplista, “Virei Um Gato” lembra aquelas clássicas comédias maniqueístas sentimentalóides da “Sessão da Tarde” que sempre trazia embutida nas entrelinhas uma pretensa e hipócrita moral. Uma fórmula, diga-se de passagem, ainda em voga no cinema americano e que não combina em nada com a grandeza profissional de um ator da envergadura de Kevin Spacey.

O comentário pode parecer soberbo ou pedante, mas basta comparar esse pífio roteiro com outros protagonizados pelo astro, daí a surpresa de seu nome envolvido no projeto. Ainda mais porque, mais da metade da trama, ele apenas dá voz ao Sr. Bola de Pelo, deixando que o carisma fake do animal seja construído por efeitos especiais bobocas usados em cenas ridículas, como aquela em que suas duas esposas (a atual e a ex), o persegue pela casa.

Chega a ser até boa a intenção de mostrar como a presença desse felino charmoso no ceio do lar preenche a ausência deixada por muitos humanos, mas bem que Kevin Spacey poderia ter, com a agilidade de um gato, ter se desvencilhado desse mico. Às vezes, é preciso, como elucida o título original do filme, ter nove vidas.

Avaliação: Regular

Veja horários e salas de “Virei um Gato”.

 

 

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